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Vaticano

Rubio em Roma para travar tensão entre Trump e Papa Leão XIV

06 mai, 2026 - 19:46 • Redação

Marco Rubio chega esta quinta-feira a Itália para encontros com o Papa Leão XIV e Giorgia Meloni. Visita decorre num dos períodos mais tensos das relações entre a Casa Branca e o Vaticano nas últimas décadas. Guerra no Irão, migração, liberdade religiosa e ataques de Donald Trump ao Papa estarão no centro das conversas.

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reúne-se esta quinta-feira com o Papa Leão XIV, no Vaticano, e com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.

A deslocação acontece depois de semanas marcadas por ataques públicos de Trump ao Papa, sobretudo devido à posição de Leão XIV sobre a guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão.

O Presidente norte-americano acusou o pontífice de ser “fraco” perante Teerão e insinuou, sem provas, que o Papa estaria disposto a aceitar que o Irão desenvolvesse armas nucleares.

O encontro entre Rubio e Leão XIV surge, por isso, carregado de simbolismo político. Rubio, católico praticante, tentou afastar a ideia de uma missão destinada a reparar relações. O secretário de Estado garantiu que a visita já estava prevista antes da recente escalada verbal entre Trump e o Vaticano.

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Segundo Rubio, a conversa deverá centrar-se em temas como liberdade religiosa, perseguição a minorias cristãs em África, ajuda humanitária e a situação em Cuba.

“Há muito para discutir com o Vaticano. O Papa é obviamente o vigário de Cristo, é católico romano, mas também é chefe de um Estado”, afirmou Rubio.

Trump e Papa em rota de colisão

A tensão entre Trump e Leão XIV agravou-se nas últimas semanas, à medida que o Papa assumiu um perfil político mais assertivo em temas internacionais. O pontífice criticou repetidamente a guerra contra o Irão e alertou para os riscos de escalada regional e global.

“A missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz. Se alguém me quiser criticar por pregar o Evangelho, espero simplesmente ser ouvido pelo valor da palavra de Deus”, disse o Papa.

O conflito político não se limita ao Irão. A questão migratória tornou-se outro ponto de fricção importante entre a Santa Sé e a administração Trump. Leão XIV criticou as políticas anti-imigração da Casa Branca e defendeu uma abordagem mais humanitária face aos fluxos migratórios no Mediterrâneo e na América Latina.

Meloni no caminho

A passagem de Rubio por Roma inclui também uma reunião com Giorgia Meloni, uma das líderes europeias politicamente mais próximas de Trump.

Ainda assim, a primeira-ministra italiana afastou-se parcialmente da Casa Branca ao sair em defesa do Papa após os ataques do Presidente norte-americano.

“Considero inaceitáveis as palavras do Presidente Trump em relação ao Santo Padre”, disse Meloni, numa das raras críticas públicas dirigidas ao líder republicano por um aliado europeu.

A chefe do governo italiano procurou igualmente legitimar a posição assumida por Leão XIV sobre a guerra e a diplomacia internacional.

“O Papa é o líder da Igreja Católica e é normal que peça paz e condene todas as formas de guerra”, disse.

A primeira-ministra italiana foi uma das líderes europeias mais próximas da Casa Branca desde o regresso de Trump ao poder e era frequentemente apresentada como principal elo entre Washington e a direita conservadora europeia.

Ao mesmo tempo, o governo italiano tem mostrado crescente preocupação com o impacto da guerra no Irão. O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, alertou recentemente para os riscos estratégicos do conflito.

“Esta guerra está também a colocar em risco a liderança global dos Estados Unidos”, afirmou.

Segundo vários meios internacionais, Roma tentou evitar um envolvimento militar mais direto no conflito e mostrou reservas quanto à utilização de bases italianas em operações relacionadas com o Irão.

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