América Latina
Confirmada morte de preso político desaparecido desde 2025 na Venezuela
07 mai, 2026 - 23:41 • Lusa
Com frequência a mãe do falecido, ia até ao cárcere de El Rodeo I à espera de notícias do filho, peregrinava em concentrações, manifestações, vigílias e outras ações pela libertação dos presos políticos no país.
As autoridades venezuelanas confirmaram esta quinta-feira a morte de Víctor Hugo Quero Navas, de 52 anos, um preso que estava desaparecido desde a sua detenção, em janeiro de 2025.
"Em 15 de julho de 2025, foi internado no Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, após apresentar hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda. Após 10 dias sob cuidados médicos, em 24 de julho de 2025 faleceu devido a insuficiência respiratória aguda secundária a trombo embolismo pulmonar", explica um comunicado divulgado em Caracas.
No documento, o Ministério do Serviço Prisional (MSP) da Venezuela explica que a 10 de março de 2026 a polícia venezuelana iniciou uma investigação, após ter tomado conhecimento, através das redes sociais, do alegado desaparecimento de Víctor Hugo Quero Navas.
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"Verificou-se que o cidadão foi preso a 3 de janeiro de 2025, encontrando-se detido no Centro de Detenção Judicial Rodeo I. Durante a detenção, não forneceu dados de filiação e nenhum familiar se apresentou para solicitar uma visita formal", explica.
Segundo o Ministério, a mãe da vítima, Carmen Teresa Navas (82 anos), formalizou uma denúncia às autoridades em 25 de março de 2026.
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No comunicado o MSP explica ainda que "uma vez que o recluso se encontrava sob a tutela do Estado e na ausência dos seus familiares, procedeu-se ao seu enterro formal na data de 30 de julho de 2025, em conformidade com os protocolos legais".
"O MSP coloca-se à disposição das autoridades competentes para a análise do caso, expressa as suas condolências à família e garante a entrega dos seus restos mortais", conclui.
Com frequência a mãe do falecido, ia até ao cárcere de El Rodeo I à espera de notícias do filho, peregrinava em concentrações, manifestações, vigílias e outras ações pela libertação dos presos políticos no país, denunciado o desaparecimento do filho.
"Onde está o meu filho: Víctor Quero Navas [está] desaparecido", era a mensagem de um cartaz que portava, e que incluía uma foto do preso.
Aos jornalistas insistia em denunciar arbitrariedades da detenção do filho, a quem várias ONG classificam de preso político.
Esta quinta-feira, a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) apresentou, perante o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), uma atualização sobre a situação dos presos políticos na Venezuela, sublinhando que continuam a ocorrer desaparecimentos forçados e tortura.
"A privação arbitrária da liberdade por motivos políticos é uma das manifestações mais graves do colapso do Estado de direito na Venezuela. Não se trata de um excesso isolado, mas sim de uma política de Estado sustentada e deliberada", disse a secretária executiva daquele organismo ao apresentar o relatório.
"No que diz respeito à Venezuela, só em 2025 concedemos 36 medidas cautelares [de proteção]. A maioria a pessoas privadas de liberdade por motivos políticos a ativistas dos direitos humanos, jornalistas, familiares de detidos e, em vários casos, a famílias inteiras", disse Tânia Reneaum Panszi.
Em 5 de maio, o último o Comité Pela Libertação dos Presos Políticos (ClippVe) na Venezuela denunciou que na cadeia de El Rodeo I estão presos dois portugueses em condições desumanas e com restrições, sendo necessárias "ações diplomáticas ativas e firmes" para serem libertados.
"Em El Rodeo I há dois portugueses em condições horríveis, tal como os venezuelanos, e o que podemos dizer é que, apesar do inferno que eles vivem, os presos políticos venezuelanos têm tentado ajudá-los dentro do possível (...) Estão numa cela de 2x2 metros, com apenas uma cama de cimento e uma latrina (...) têm restrições de alimentação, medicação e hidratação e não lhes permitem [fazer] nem um telefonema", explicou a porta-voz daquela ONG, Andreína Baduel.
Dados atualizados da organização Justiça, Encontro e Perdão dão conta de que na Venezuela há 667 presos políticos, entre os quais cinco portugueses.
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