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Hantavírus. 40 passageiros desembarcaram após morte do primeiro doente

07 mai, 2026 - 10:45 • Lusa

A empresa não tinha informado da saída de outros passageiros do navio de cruzeiro em Santa Helena, para além da mulher do primeiro infetado.

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Cerca de 40 passageiros do navio de cruzeiro afetado por um surto mortal de hantavírus desembarcaram na ilha de Santa Helena após a morte do primeiro passageiro, disseram esta quinta-feira as autoridades dos Países Baixos.

Os 40 passageiros, incluindo a mulher do cidadão holandês que morreu a bordo, abandonaram o navio, com bandeira dos Países Baixos, durante a escala em Santa Helena, território ultramarino britânico no Atlântico, antes da chegada a Cabo Verde, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Haia.

Entre os passageiros que desembarcaram encontrava-se a cidadã holandesa que foi depois hospitalizada na África do Sul e o cidadão suíço que também recebeu tratamento.

A companhia holandesa que opera o navio já tinha dito que a mulher do primeiro paciente a morrer a bordo tinha abandonado o cruzeiro em Santa Helena para acompanhar o corpo do marido.

A mulher viajou depois para a África do Sul num voo comercial e morreu após adoecer em Joanesburgo.

No entanto, a empresa não tinha informado da saída de outros passageiros do navio de cruzeiro em Santa Helena.

As autoridades na África do Sul e na Europa estão a tentar localizar os contactos de quaisquer passageiros que tenham abandonado o cruzeiro.

Na quarta-feira foi conhecido que um homem que tinha desembarcado do cruzeiro em Santa Helena e viajado para casa estava internado com hantavírus na Suíça.

As autoridades holandesas desconhecem o paradeiro dos restantes passageiros do navio que desembarcaram nessa altura.

Um homem britânico foi retirado do navio para a África do Sul dias mais tarde e três pessoas, incluindo o medico do cruzeiro, foram retiradas quando a embarcação estava ao largo de Cabo Verde e levadas para a Europa na quarta-feira.

Entretanto, dois cidadãos britânicos que regressaram ao Reino Unido depois de terem estado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, afetado pelo surto de hantavírus, isolaram-se voluntariamente, mas não apresentam sintomas de infeção.

De acordo com a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) os dois passageiros deixaram o navio de cruzeiro no final de abril, "perto da ilha de Santa Helena", e regressaram ao Reino Unido a partir de Joanesburgo, África do Sul.

Segundo o organismo de saúde britânico, os dois passageiros contactaram as autoridades assim que souberam do surto no navio MV Hondius.

Pacientes transportados por avião das Canárias para os Países Baixos

O paciente que apresentava sintomas de infeção por hantavírus e que estava num avião comercial na Gran Canária desde quarta-feira foi transferido para Amesterdão numa aeronave adaptada para transporte médico, disse à Lusa fonte oficial espanhola.

De acordo com a mesma fonte, o avião comercial que permaneceu na ilha espanhola da Gran Canária partiu posteriormente "sem passageiros ou doentes a bordo", transportando apenas a tripulação, tendo efetuado uma escala técnica em Valência para reabastecimento antes de seguir para Roterdão, Países Baixos.

"A operação está a ser realizada em conformidade com os protocolos de saúde e segurança estabelecidos, em coordenação com as autoridades competentes e a companhia aérea responsável pela transferência", disse ainda a fonte governamental espanhola.

O doente tinha sido retirado do navio de cruzeiro MV Hondius apresentando sintomas de infeção por hantavírus.

A escala do doente nas Canárias não estava originalmente prevista.

O plano de voo era viajar da Cidade da Praia, Cabo Verde, para Amesterdão, com escala para reabastecimento em Marraquexe, Marrocos.

No entanto, na tarde da quarta-feira, a aeronave foi desviada para Gran Canária porque Marrocos não autorizou a aterragem.

À chegada à Gran Canária, a tripulação reportou uma falha elétrica no sistema de suporte de vida de um dos pacientes, que exigiu reparações e atrasou a partida durante várias horas.

A Delegação do Governo nas Canárias esclareceu na quarta-feira que toda a operação foi autorizada sob a condição de que ninguém embarcasse ou desembarcasse da aeronave enquanto o aparelho permanecesse na pista.

O Governo das Canárias ofereceu-se para criar uma área de isolamento sanitário para que a aeronave pudesse retomar o plano de voo, mas o Ministério da Saúde de Espanha não aceitou a solução.

Por fim, a tripulação e os dois doentes tiveram de aguardar a chegada da aeronave médica vinda do norte da Europa para realizar a transferência nas condições de segurança necessárias.

Entretanto, o navio de cruzeiro holandês MV Hondius continua a viagem para as Canárias com 144 pessoas a bordo, depois de ter zarpado de Cabo Verde, na quarta-feira.

O Governo da Praia tinha anteriormente negado ao navio a permissão para atracar.

A chegada do navio está prevista para o fim de semana a Granadilla de Abona, no sul de Tenerife, Canárias.

O horário de chegada divulgado no plano de navegação indica a atracarem para o princípio da tarde de domingo.

Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano.

Embora tenham sido identificadas numerosas espécies de hantavírus, apenas algumas estão associadas a infeção humana, nos quais podem causar doença grave, cujas manifestações clínicas dependem do tipo de vírus, que difere entre zonas geográficas.

Três pessoas que viajavam no navio de cruzeiro morreram após a partida, há um mês, de Ushuaia, a cidade mais a sul da Argentina.

Entretanto, um britânico de 56 anos está em condição estável depois de ter sido retirado do navio na quarta-feira, juntamente com outras duas pessoas.

Cerca de 150 pessoas permanecem a bordo do navio de cruzeiro sob rigorosas medidas de precaução.

O navio, que tinha como destino Cabo Verde, deve chegar no fim de semana ao porto de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, Espanha.

Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano.

Embora tenham sido identificadas numerosas espécies de hantavírus, apenas algumas estão associadas a infeção humana, nos quais podem causar doença grave, cujas manifestações clínicas dependem do tipo de vírus, que difere entre zonas geográficas.

[Notícia atualizada às 12h14 de 7 de maio de 2026 para acrescentar mais detalhes]

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