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MSF denuncia aumento alarmante da desnutrição em Gaza devido ao bloqueio de ajuda

07 mai, 2026 - 09:23 • Olímpia Mairos

Relatório da organização humanitária revela aumento de partos prematuros, baixo peso à nascença e abandono de tratamentos devido à fome, insegurança e deslocações forçadas em Gaza.

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MSF denuncia aumento alarmante da desnutrição em Gaza devido ao bloqueio de ajuda. Foto: MSF
MSF denuncia aumento alarmante da desnutrição em Gaza devido ao bloqueio de ajuda. Foto: MSF
MSF denuncia aumento alarmante da desnutrição em Gaza devido ao bloqueio de ajuda. Foto: MSF
MSF denuncia aumento alarmante da desnutrição em Gaza devido ao bloqueio de ajuda. Foto: MSF
MSF denuncia aumento alarmante da desnutrição em Gaza devido ao bloqueio de ajuda. Foto: MSF
MSF denuncia aumento alarmante da desnutrição em Gaza devido ao bloqueio de ajuda. Foto: MSF

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou para uma “crise de desnutrição fabricada” em Gaza, acusando Israel de restringir deliberadamente a entrada de alimentos e ajuda humanitária no território palestiniano.

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Segundo a organização, a situação teve consequências “devastadoras” para mulheres grávidas, mães a amamentar, recém-nascidos e crianças pequenas.

Num relatório divulgado esta quarta-feira, a MSF analisou dados recolhidos entre o final de 2024 e o início de 2026 em quatro unidades de saúde apoiadas pela organização. A análise conclui que os períodos de maior intensidade dos combates e do bloqueio coincidiram com um agravamento severo da desnutrição e da mortalidade neonatal.

Gravidez e recém-nascidos entre os mais afetados

A crise de desnutrição é inteiramente fabricada”, afirmou Mercè Rocaspana, responsável médica de emergências da MSF. “Antes da guerra, a desnutrição em Gaza era praticamente inexistente. Durante dois anos e meio, o bloqueio sistemático à ajuda humanitária e aos bens comerciais, aliado à insegurança, restringiu severamente o acesso a alimentos e água potável.”

A organização analisou dados de 201 mães de recém-nascidos internados nas unidades de cuidados intensivos neonatais dos hospitais Al Nasser e Al Helou, em Khan Younis e Cidade de Gaza, entre junho de 2025 e janeiro de 2026. Mais de metade das mulheres sofreram de desnutrição durante a gravidez e 25% continuavam subnutridas no momento do parto.

Segundo a MSF, 90% dos bebés nascidos de mães afetadas pela desnutrição nasceram prematuramente e 84% apresentavam baixo peso à nascença. A mortalidade neonatal foi duas vezes superior entre bebés de mães subnutridas.

Insegurança impede tratamentos

Além dos efeitos diretos na saúde materna e infantil, a organização destaca o impacto da insegurança e dos deslocamentos forçados no acesso aos tratamentos. Entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, mais de 500 bebés com menos de seis meses foram admitidos em programas terapêuticos de alimentação no sul de Gaza. Contudo, cerca de um terço acabou por abandonar os tratamentos devido à violência e às deslocações constantes.

“A maioria das mães pediu apoio nutricional mesmo quando as crianças ainda não tinham sido identificadas como subnutridas”, explicou Marina Pomares, coordenadora médica da MSF para a Palestina. Segundo a responsável, este cenário reflete a insegurança alimentar generalizada causada pelo bloqueio imposto por Israel, que impediu durante meses a entrada regular de alimentos em Gaza.

O relatório sublinha ainda que, antes da guerra, não existiam unidades dedicadas à alimentação terapêutica em Gaza. Os primeiros casos de desnutrição infantil começaram a ser identificados pelas equipas da MSF em janeiro de 2024. Desde então, a organização admitiu mais de 4.100 crianças com menos de 15 anos em programas de tratamento para desnutrição aguda, sendo 97% menores de cinco anos.

MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF
MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF
MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF
MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF
MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF
MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF
MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF
MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil”. Foto: MSF

“A fome está a ser usada como arma”

Uma das testemunhas citadas pela MSF é Mona, uma jovem de 23 anos tratada pela organização. “O meu filho mais novo morreu aos cinco meses devido a desnutrição severa. Eu própria sofri de desnutrição durante a gravidez”, contou. A jovem explicou ainda que vive numa casa parcialmente destruída e que o barco de pesca do marido foi destruído em bombardeamentos israelitas, deixando a família sem rendimentos.

A organização denuncia igualmente o colapso dos sistemas de distribuição alimentar. Após o fim do cessar-fogo de janeiro de 2025, os pontos de distribuição de comida passaram de cerca de 400 para apenas quatro, sob controlo da Gaza Humanitarian Foundation (GHF).

Os pontos de distribuição foram militarizados e tornaram-se mortais”, denunciou José Mas, responsável da unidade de emergências da MSF. Segundo o responsável, a combinação entre bloqueios, violência e ataques a infraestruturas essenciais criou “um ambiente em que a fome é deliberadamente usada como forma de controlo da população”.

Entre outubro e novembro de 2025, cerca de três quartos da população de Gaza enfrentava níveis elevados de insegurança alimentar aguda, segundo a classificação IPC, que declarou situação de fome na região — a primeira vez que tal aconteceu no Médio Oriente.

Apesar da relativa estabilidade trazida pelo atual cessar-fogo, a MSF alerta que a situação continua “extremamente frágil” e apela às autoridades israelitas e aos seus aliados, incluindo os Estados Unidos, para garantirem a entrada contínua de ajuda humanitária e abastecimentos essenciais em Gaza.

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