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Negócios Estrangeiros

Rangel sobre português detido por Israel. "Não admito uma única crítica neste caso"

07 mai, 2026 - 12:25 • João Cunha, com Agência Lusa

Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, condena as críticas de ativista português que esteve a bordo de flotilha que foi travada, ao largo da Grécia, quando seguia para a Faixa de Gaza. Ativista considerou vergonhosa a abordagem feita pela diplomacia portuguesa em Creta, onde o exército israelita desembarcou 179 dos 181 ativistas.

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"Não tem qualquer razão", garante Paulo Rangel. O ativista português que foi levado com mais de centena e meia de outros ativistas, travados por Israel quando pretendiam seguir para a Faixa de Gaza, criticou a diplomacia portuguesa, considerando "absolutamente vergonhosa" a abordagem feita em Creta.

“O cônsul esperou por mim, abordou-me, cumprimentou-me, perguntou-me como é que eu estava e expliquei-lhe a situação, que tinha sido raptado e torturado. Disse-me que não podia fazer nada, que eu tinha o meu passaporte comigo, que eu era um cidadão livre, que eu podia fazer aquilo que eu quisesse, e que tinha que contactar os meus familiares em Portugal para me comprarem uma passagem para eu regressar ao país”, contou Nuno Gomes.

Esta quinta-feira, à margem de mais uma edição do Growth Forum, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria, Paulo Rangel diz não admitir qualquer crítica.

"Esse cidadão não tem qualquer razão. No dia anterior aos acontecimentos, Portugal fez diligências preventivas em Telavive. Depois disso, enviámos o número dois da embaixada em Atenas para Creta. Esteve em contacto com as famílias, antes de eles chegarem, e quando chegaram esteve em contacto com todos. Até dinheiro se disponibilizou... Este senhor saiu no dia seguinte para o Porto", garantiu o ministro, que acrescentou que o português em causa "está a querer fazer uma guerra ideológica, e faz muito bem, mas tem de o fazer na flotilha".

As autoridades diplomáticas portuguesas, sublinhou Paulo Rangel, "foram absolutamente exemplares, e quem disser o contrário está a mentir. Eu não admito uma única crítica neste caso, e portanto, esse senhor fica a falar sozinho".

Em entrevista à Lusa, Nuno Gomes considerou que “esteve raptado” em pleno navio, e que sofreu “uma tortura psicológica permanente”, alegando ainda ter sido “atacado fisicamente” em várias ocasiões.

“Intercedi em ajuda perante camaradas meus, não cumpri com algumas ordens que eles me deram e [...] fui penalizado severamente e fui torturado fisicamente, acabando por sofrer lesões graves no meu corpo, incluindo uma costela rachada em dois sítios diferentes, uma lesão também grave que me causa bastantes dores na coluna vertebral e tenho algumas nódoas negras e arranhões pelo meu corpo todo”, indicou.

Sobre estas acusações, Paulo Rangel, referiu apenas que chamou o embaixador de Israel em Lisboa ao Ministério, para dar explicações.

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