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Saúde Pública

Quem era Leo Schilperood, o "paciente zero" do surto de hantavírus?

11 mai, 2026 - 22:00 • Catarina Magalhães

Leo Schilperood, de 70 anos, começou a adoecer a bordo do cruzeiro Hondius depois de viajar durante vários meses pela América do Sul com a esposa. Para observar aves raras, o casal fez uma paragem num aterro sanitário.

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Apesar do navio de cruzeiro Hondius ter começado a ser notícia no último fim de semana de abril, sabe-se que os primeiros sintomas de hantavírus aconteceram a 6 de abril.

Pelos mares do Atlântico Sul, o neerlandês Leo Schilperood, de 70 anos, começou a adoecer depois de viajar durante vários meses pela América do Sul com a esposa de 69 anos, Mirjam Schilperood.

Antes de embarcarem a 1 de abril no navio na cidade argentina de Ushuaia, o casal dedicou o seu tempo à observação de aves em diversos habitats naturais.

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Habituados a aventurarem-se em diferentes pontos do mundo, os turistas começaram a viagem na Argentina, a 27 de novembro de 2025, sendo que Leo era ornitólogo – um especialista no estudo científico de aves.

De regresso ao país, visitaram um aterro sanitário quatro dias antes entrarem no barco.


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A seis quilómetros do ponto de embarque, os passageiros visitaram um depósito de lixo conhecido como um local de peregrinação para observadores de aves.

Este é um sítio habitualmente evitado pelos moradores das redondezas, mas valorizado por estes admiradores que procuram avistar a caracará-de-garganta-branca, uma ave rara.

Com uma área equivalente a mais de 30 campos de futebol, a visita ao aterro pode ter desencadeado o início do surto.

As autoridades suspeitam que o casal inalou partículas de fezes de ratos-pigmeus-de-cauda-longa, conhecido cientificamente como Oligoryzomys longicaudatus. Este roedor pesa tipicamente menos de 30 gramas, tem olhos grandes, orelhas pequenas e a cauda pode ter o dobro do comprimento do resto do corpo.

Estes pequenos animais vivem, na sua maioria, pela Argentina e pelo Chile e são os principais responsáveis pela transmissão de hantavírus.

Febre, dor de cabeça, dor de estômago e diarreia foram os primeiros sinais que, para Leo, pareciam tratar-se de uma doença "leve", segundo o que tripulação avançou a meios de comunicação internacionais.

O "paciente zero" acabou por morrer no navio, cinco dias depois dos sintomas, e saiu do Hondius a 24 de abril, na ilha Santa Helena, já cadáver. No entanto, não foi efetuado qualquer teste para confirmar a infeção.

A mulher de 69 anos, já doente, saiu na mesma paragem que o marido sem vida, e não resistiu aos sintomas. Morreu a 26 de abril em Joanesburgo, na África do Sul. Mirjam testou positivo a 4 de maio.

Até ao momento, há sete casos confirmados relacionados com o cruzeiro MV Hondius, e três mortes. A oitava infeção pode ser um cidadão espanhol que se encontra em quarentena em Madrid.

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) admitiu que mais casos de infeção por hantavírus podem surgir nas próximas semanas entre os ex-passageiros e tripulação do navio onde ocorreu o surto.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o hantavírus é um vírus de origem zoonótica, ou seja, transmitido de animais para humanos, tendo como principais reservatórios diferentes espécies de roedores.

Nestes animais, o vírus pode permanecer durante longos períodos sem causar doença, mas quando transmitido ao ser humano pode provocar infeções graves e potencialmente fatais.

A gravidade e o tipo de doença variam consoante a estirpe do vírus e a região geográfica onde ocorre a infeção.

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