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Estados Unidos

Presidente de Câmara em Los Angeles confessa ser espiã chinesa

12 mai, 2026 - 17:30 • Daniela Espírito Santo

Eileen Wang apresentou a demissão após ter confessado que terá atuado nos EUA como agente ao serviço da China durante pelo menos dois anos.

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A presidente da câmara de uma cidade nos subúrbios de Los Angeles apresentou a demissão, esta segunda-feira. Até aqui nada de muito anormal, uma vez que não é a primeira vez que um "mayor" decide abandonar o cargo antes de terminar o seu mandato. No entanto, o motivo que levou Eileen Wang, de 58 anos, a demitir-se da chefia da cidade de Arcadia é, certamente, peculiar: a mulher foi acusada de atuar nos EUA como um agente ao serviço da China.

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De acordo com a publicação Time, Eileen Wang deverá mesmo declarar-se como culpada "nas próximas semanas". Aliás, o diretor do FBI, Kash Patel, já garantiu, na rede social X (antigo Twitter), que Wang admitiu mesmo "atuar como agente estrangeira pelo menos de 2020 a 2022", promovendo "propaganda da República Popular da China nos EUA e agindo sobre a direção da República Popular da China para promover os seus interesses".

"O FBI e os nosso parceiros federais continuam a agir agressivamente para erradicar este tipo de influência nas instituições norte-americanas por todo o país", acrescentou Patel, dando a entender que Wang não será caso isolado.

De acordo com um comunicado do Departamento de Justiça, a acusação foi feita ainda em abril, mas só agora é que os detalhes judiciais e a confissão foram conhecidos publicamente.

Numa declaração feita pelo advogado da suspeita, citada pela mesma publicação norte-americana, a política californiana pediu "desculpa pelos erros que cometeu na sua vida pessoal". "O seu amor e devoção pela comunidade de Arcadia não mudaram", acrescentou.

Eileen Wang está no conselho municipal de Arcadia, uma cidade com uma grande comunidade de origem asiática, desde novembro de 2022. Tornou-se presidente da câmara em fevereiro passado, num sistema de rotação que é utilizado naquela jurisdição.

Numa mensagem partilhada na página oficial da cidade, o caso é confirmado pelo conselho municipal, que entende que a notícia possa gerar "sérias preocupações" e garante querer ser "transparente com a comunidade" sobre a sua posição perante as acusações "profundamente preocupantes" feitas contra a líder do executivo.

"Queremos deixar claro: esta investigação diz respeito à conduta individual e refere-se a condutas que cessaram após Wang ter tomado posse", garante o grupo, que assegura ter feito uma "revisão interna" e poder confirmar que "nenhuma questão financeira, pessoal ou processos de tomada de decisão na câmara" foram afetados pela conduta de Wang.

"Todas as ações do Conselho Municipal são tomadas em conjunto e nenhum membro detém autoridade unilateral. Não encontramos nenhuma ação que exija reconsideração ou que seja invalidada em consequência dos acontecimentos. Os restantes membros não estão sob investigação", acrescenta a missiva.

Imigrante chinesa, Wang mudou-se da China para a Califórnia, garante uma reportagem do jornal LA Times, há três décadas. É mãe de dois filhos e mora em Arcadia há vinte anos, tendo desenvolvido um projeto chamado Little Standford Academy antes de enveredar pela vida política. É, também, ex-noiva de Yaoning Sun, que foi condenado a quatro anos de prisão por um crime similar. Na altura em que foi condenado, no início do ano, foi dito publicamente pelo Departamento de Justiça norte-americano que teria atuado como agente secreto para a China "enquanto assessor de campanha" de um candidato de uma cidade "no sul da Califórnia". Ora, Sun foi conselheiro de campanha da ex-noiva, agora acusada.

Para além disso, os dois administravam, alegadamente, um site chamado "US News Center", utilizado como fonte noticiosa por sino-americanos e que terá sido instrumentalizado pelo Governo chinês.

No acordo de confissão assinado pela política californiana, Wang admite não ter notificado ninguém da sua atuação como agente chinesa nos EUA, nem do papel que a República Popular Chinesa tinha no conteúdo publicado no site que administrava.

Este está longe de ser o primeiro caso do género por terras norte-americanas (e não só), com a Casa Branca a acusar, inclusive, a China de roubar propriedade intelectual de laboratórios de inteligência artificial nos EUA, por exemplo. A China, no entanto, refuta quaisquer acusações de interferência ou espionagem.

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