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Saúde

Obesidade dispara nos países mais pobres e abranda em Portugal e noutros países desenvolvidos

13 mai, 2026 - 20:58 • Catarina Magalhães

Taxas de obesidade começaram a abrandar entre os mais novos nos anos 2000. Já os adultos começaram a seguir a mesma tendência uma década mais tarde. Cientistas descartam interferência de medicamentos para perda de peso, como Ozempic, nos resultados.

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Considerada como uma "epidemia" pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é uma "grave crise global" que uma em cada oito pessoas no mundo e um novo estudo divulgado esta quarta-feira revela que este problema de saúde está a seguir uma tendência diferente.

Segundo um estudo liderado pelo Imperial College de Londres publicado na revista de ciência "Nature", o mundo está agora dividido em dois: a obesidade está a abrandar nos países desenvolvidos e a acelerar nos países em desenvolvimento.

As perceções sobre a imagem corporal, as rotinas alimentares, a atividade física, os níveis de rendimento e a edução são aspetos que influenciam o peso.

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Nas últimas quatro décadas, o mundo esteve dominado pelo aumento das taxas de excesso de peso, considerado como uma das maiores ameaças à saúde pública global.

Depois de estudarem dados de saúde de 200 países e territórios de 1980 a 2024, os investigadores perceberam que os níveis crescentes de obesidade abrandaram e até começaram a diminuir em muitos países, como em Portugal.

Apesar dos casos terem duplicado nos adultos e quadruplicado nos adolescentes nas últimas quatro décadas, os cientistas defendem que a tendência internacional para a obesidade "não é inevitável".

Já antes da viragem do milénio, as taxas de obesidade infantil estavam a crescer nos países ricos, mas essa tendência já abrandou e até inverteu primeiro na Dinamarca e depois na França, Itália, Suíça, Bélgica, Alemanha e até em Portugal desde os anos 2000. Já os adultos seguiram a mesma tendência uma década mais tarde.

No entanto, a Austrália, a Finlândia e a Suécia continuam, por exemplo, com uma subida persistente de casos entre os mais novos e os adultos.

O abrandamento desta epidemia nos países baixos deve-se, então, a uma "combinação de fatores sociais, económicos e tecnológicos" que interferem na dieta alimentar de cada um.

Os investigadores não acreditam que os medicamentos para perda de peso, como o Ozempic, não influenciaram os resultados, mas não descartam que poderão afetar a evolução desta doença nos próximos anos.

Porém, a obesidade atingiu em 2024 um máximo histórico de obesidade nos países mais pobres, o que pode ser explicado como um efeito tardio das regiões com médio rendimento nos anos 1980 e 1990.

Nos últimos anos, estes países estão a começar a viver "padrões ocidentais" de alimentação mais semelhantes aos que eram praticados, incluindo rotinas mais sedentárias – mas os autores alertam que as explicações tradicionais “podem ser relevantes, mas não explicam as heterogeneidades identificadas”.

Estas conclusões coincidem numa altura em que especialistas de todo o mundo estão reunidos no Congresso Europeu de Obesidade, na Turquia.

Em Portugal, 16% dos adultos são obesos e 18% adolescentes também têm excesso de peso, segundo os dados mais recentes da OCDE.

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