Nações Unidas
Síria: ONU corta ajuda alimentar por falta de fundos e milhões enfrentam fome severa
13 mai, 2026 - 15:19 • Olímpia Mairos , com Reuters
O Programa Alimentar Mundial reduziu para metade a assistência alimentar na Síria, suspendeu subsídios ao pão e alerta que 7,2 milhões de pessoas continuam em insegurança alimentar aguda.
O Programa Alimentar Mundial anunciou esta quarta-feira que reduziu para metade a ajuda alimentar de emergência na Síria devido à falta de financiamento, alertando que milhões de pessoas continuam em situação vulnerável apesar de alguns sinais de estabilização no país.
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A agência das Nações Unidas explicou que o número de pessoas que recebem assistência alimentar de emergência caiu de 1,3 milhões para 650 mil em maio, ao mesmo tempo que as operações foram reduzidas de 14 para apenas sete províncias sírias.
Segundo o PAM, 7,2 milhões de pessoas na Síria enfrentam insegurança alimentar aguda, incluindo 1,6 milhões em situação de fome severa. A organização refere ainda que muitas famílias já estão a reduzir as porções das refeições, a consumir alimentos menos nutritivos ou até a saltar refeições.
“A redução da assistência do PAM é motivada exclusivamente por limitações de financiamento, e não por uma diminuição das necessidades”, afirmou Marianne Ward, citada em comunicado.
Programa de subsídio ao pão foi suspenso
A agência da ONU anunciou também a suspensão de um programa de subsídio ao pão que apoiava mais de 300 padarias com farinha fortificada, permitindo fornecer pão subsidiado diariamente a até quatro milhões de pessoas em algumas das zonas mais vulneráveis da Síria.
A crise económica no país agravou-se após mais de uma década de conflito, que destruiu infraestruturas, deslocou milhões de pessoas e afetou gravemente os meios de subsistência da população. Embora os combates tenham diminuído em várias regiões desde a queda do antigo presidente Bashar al-Assad no final de 2024, as organizações humanitárias alertam que as necessidades continuam a ser extremamente elevadas.
O PAM estima necessitar de 189 milhões de dólares entre junho e novembro para manter e restaurar a assistência alimentar dentro da Síria.
Cortes no financiamento internacional agravam situação
A agência refere ainda que a escassez de financiamento está também a afetar os refugiados sírios nos países vizinhos.
Na Jordânia, o PAM suspendeu o apoio alimentar em dinheiro para 135 mil refugiados sírios que vivem em comunidades locais, mantendo apenas ajuda reduzida para cerca de 85 mil refugiados em campos. Já no Egito, o apoio a 20 mil sírios foi reduzido, enquanto muitas famílias refugiadas no Líbano continuam fortemente dependentes da ajuda humanitária.
A agência sublinha que os cortes no financiamento internacional surgem numa altura em que vários países reduziram ou anunciaram reduções na ajuda ao desenvolvimento e assistência humanitária. Os Estados Unidos, principal doador do PAM, cortaram significativamente a ajuda externa sob a presidência de Donald Trump.
- Noticiário das 9h
- 09 jun, 2026








