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Trump em Pequim

António Vitorino. "Chineses estão cada vez mais assertivos" por terem consciência das vulnerabilidades de Trump

14 mai, 2026 - 17:00 • Pedro Mesquita

Desta vez, com o Presidente dos EUA a aparentar algumas vulnerabilidades – até agora – foi Xi Jinping a fazer voz grossa, algo a ninguém estava habituado a ver nos encontros de Trump com outros líderes. António Vitorino admite à Renascença que nunca tinha visto "um Presidente americano colocar a China e os Estados Unidos em pé de igualdade no plano global".

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António Vitorino. "Chineses estão cada vez mais assertivos" por terem consciência das vulnerabilidades de Trump
A análise de António Vitorino à Renascença Foto: Reuters

De Trump, o antigo ministro da Defesa – António Vitorino — diz que "tem sido sempre muito discreto, o que não é típico dele, sobre a questão de Taiwan". Por seu lado, Xi avisou o Presidente dos Estados Unidos que, se for mal gerida, a questão de Taiwan poderá conduzir a situação muito perigosa entre os dois países: "Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito."

De acordo com a televisão estatal chinesa, esta frase não significa necessariamente, em mandarim, o risco de um conflito militar. Seja como for, dá para ver como a questão de Taiwan é sensível. Traduz, na leitura de António Vitorino, "uma crescente assertividade da China", que resulta nomeadamente da vulnerabilidade demonstrada por Trump para resolver o conflito com o Irão".

Ainda assim, o antigo ministro da Defesa sublinha que a visita ainda não acabou. Este foi apenas o primeiro "round". Os líderes das duas superpotências têm mais encontros previstos.



Que avaliação faz do primeiro encontro de Trump e Xi Jinping, nesta visita à China?

Ainda é cedo para tirar conclusões. Tratou-se do primeiro encontro. Creio que a grande expectativa é sobre aquilo que se poderá passar nos dois encontros "tête-à-tête", que estão previstos entre o Presidente Trump e o Presidente Xi Jinping. Acho que o lado chinês foi muito claro, explicando, "bom, para nós o mais sensível é a questão de Taiwan, é aí que nós apostamos todas as fichas".

O Presidente Trump sempre deu sinais de ter uma grande deferência em relação ao Presidente chinês, assumiu mesmo que estava num diálogo entre as duas grandes superpotências. É a primeira vez que vejo um Presidente norte-americano colocar a China e os Estados Unidos em pé de igualdade no plano global. A verdade é que há expectativa porque o Presidente Trump tem sido sempre muito discreto, o que não é típico dele, sobre a questão de Taiwan.

Justamente. Sobre Taiwan, Xi Jinping avisou que, se por acaso, a questão for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito. Trump não estava habituado a que falem assim com ele...

É evidente que os chineses nesta relação bilateral estão cada vez mais assertivos, porque têm consciência das vulnerabilidades do presidente Trump.

Trump, neste caso, surge vulnerável perante Xi Jinping?

Há várias vulnerabilidades, neste momento, que ele tenta reverter, mas não sei se vai ter sucesso. A primeira é, obviamente, a situação no Irão e a dificuldade que o Presidente Trump tem em encontrar uma saída que não seja humilhante do conflito no Irão.

Em segundo lugar, há o episódio das tarifas e das terras raras que, de há seis meses a esta parte, obrigou o Presidente Trump a fazer uma inversão do curso que estava a seguir, quando os chineses responderam "na mesma moeda". E, portanto, há, de facto, uma situação de maior vulnerabilidade da parte do presidente americano, que os chineses tentam aproveitar.

Xi Jinping, pode dizer-se, "entrou a pé juntos". De que forma é que Trump poderá sair airosamente desta visita à China?

Sobre o Irão, acho que lhe bastam as conversas privadas. Do ponto de vista público, há a "história" dos acordos comerciais e há, também, uma questão muito importante: a portentosa delegação de Silicon Valley, que acompanha Donald Trump e que, obviamente, vai à China para tentar encontrar oportunidades de negócio com os chineses. E, portanto, o que vier desse lado será apresentado por Trump como uma grande vitória, o reconhecimento pela China da superioridade tecnológica dos Estados Unidos.

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