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Guerra no Irão

Base das Lajes: Governo português desmente Marco Rubio

14 mai, 2026 - 22:59 • Ricardo Vieira, com redação

O responsável pela diplomacia norte-americana afirmou que o Governo de Lisboa permitiu a utilização da base sem saber a natureza da ofensiva.

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Portugal disse "sim antes mesmo de perguntarmos", diz Marco Rubio sobre utilização da Base das Lajes

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) desmente o secretário de Estado norte-americano e recusa ter autorizado a passagem de equipamento dos EUA pela Base das Lajes antes do arranque dos ataques contra o Irão, a 28 de fevereiro.

O esclarecimento foi divulgado esta quinta-feira pelo gabinete do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, em comunicado enviado às redações.

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O MNE reage às declarações do secretário de Estado norte-americano. Marco Rubio, numa entrevista à Fox News, apontou Portugal como um bom exemplo de aliado durante a guerra com o Irão.

O responsável pela diplomacia norte-americana afirmou que o Governo de Lisboa permitiu a utilização da base das Lajes sem saber a natureza da operação "Fúria Épica".

"Para ser justo, há países na NATO que nos foram muito prestáveis. Para citar apenas um, Portugal. Eles disseram que sim antes mesmo de perguntarmos. Outros países... Polónia, Roménia, Bulgária", afirmou Marco Rubio.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal desmente Rubio e insiste que todas as condições impostas aos Estados Unidos foram publicamente divulgadas.

“Como se explicou publicamente e, em detalhe, à Comissão de Negócios Estrangeiros (no dia 7 de Abril), o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”, indica a nota do MNE.

“A declaração do Secretário de Estado Marco Rubio não se aplica, pois, de todo a Portugal e não sabemos se se aplica a algum dos outros países a que se referiu”, sublinha o gabinete de Paulo Rangel.

Base das Lajes? "A utilização é ínfima"

Paulo Rangel defendeu, numa entrevista à RTP no final de abril, que a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos no conflito com o Irão tem sido ínfima, em comparação com os recursos dos norte-americanos no Médio Oriente.

"A utilização é ínfima, se pensarmos na escala da presença de forças dos EUA e todos os seus recursos na região [do Médio Oriente], estamos a falar de uma presença que não é muito relevante", referiu Paulo Rangel.

O chefe da diplomacia portuguesa lembrou que a autorização portuguesa para a utilização da base nos Açores pelos norte-americanos está condicionada a que o material que passe pela base seja apenas utilizado como resposta a ataques, de forma proporcional e necessária e apenas contra alvos militares.

E realçou ainda que o acordo com os EUA sobre a Base das Lajes está consensualizada pelas grandes forças políticas portugueses. "Recebemos do PS e do Chega o acordo da condicionalidade que foi posta. Nenhum disse que estava contra nestas condições", apontou.

Ainda sobre o uso da infraestrutura pelos EUA para o conflito com o Irão, Rangel considerou que o Governo tem "todas as condições para acreditar" que têm sido cumpridas as condicionantes colocadas a Washington.

Questionado sobre as críticas do Governo norte-americano liderado por Donald Trump aos aliados da NATO pela falta de ajuda na guerra com o Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou essas posições injustas.

"Esta operação não foi comunicada aos aliados antes de ocorrer, não tiveram oportunidade de criar uma posição previa sobre esta matéria. Parece demasiado estar a pedir que tivessem uma posição totalmente alinhada", detalhou Paulo Rangel.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, apesar das divergências que possam existir entre membros da Aliança Atlântica, a "questão da fiabilidade dos objetivos e missão da NATO não está em causa".

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