EUA
"Valores americanos" e hardware chinês. Telemóvel Trump está a chegar
14 mai, 2026 - 20:31 • Redação
Após atrasos consecutivos no lançamento, os primeiros "T1" na cor dourada, com câmara tripla e feitos com "os valores americanos em mente", devem chegar nas próximas semanas.
“Criado com os valores americanos em mente”, mas com hardware chinês, o T1 é novo smartphone da Trump Mobile e custa 499 dólares (426 euros). Deverá chegar nos próximos dias em tom dourado, com um ecrã AMOLED de 6,78 polegadas e uma câmara tripla.
A marca associada ao Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou simultaneamente, há cerca de um ano, uma nova operadora móvel e o equipamento. Houve quem pagasse 100 dólares para ficar à frente na fila de espera, mas atrasos consecutivos, mudanças nos termos e condições e uma potencial burla levaram a várias especulações.
A vibrante cor dourada que reveste o novo dispositivo de Trump é um dos símbolos das promessas que carrega. A forte identidade americana do dispositivo que, inicialmente, seria produzido na íntegra com material americano é uma das características sublinhadas. A alta performance foi outro ponto destacado, de tal forma que surgiram rumores da eventual competição com gigantes como a Samsung ou a Apple.
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O preço do plano móvel do T1 (47,45 dólares) é em si mesmo uma referência ao Presidente americano. Os números 47 e 45 referem-se ao facto de Donald Trump ter sido o 45.º e o 47.º Presidente dos EUA.
A ligação do lançamento com Trump “suscitou críticas por parte de especialistas em ética e legisladores, uma vez que o negócio utiliza o nome "Trump" enquanto o líder da Casa Branca ainda se encontra no cargo”, refere a Reuters.
As preocupações quanto a potenciais conflitos de interesses foram, no entanto, segundo a Reuters, desvalorizadas por um porta-voz da Casa Branca, que afirmou que os ativos do Trump estão num fundo fiduciário gerido pelos filhos.
O T1 foi anunciado pela primeira vez no dia 6 de junho de 2025 e a data de lançamento estava prevista para agosto do mesmo ano. A verdade é que após um primeiro adiamento, para outubro de 2025, e sucessivos atrasos, um número incerto de pessoas já realizou o depósito de 100 dólares de forma a garantir prioridade na compra do equipamento.
O CEO da Trump Mobile, Pat O’Brien, em declarações à Reuters, não divulgou o número de compras em pré-venda por razões de concorrência, no entanto, segundo a revista Time, cerca de 600 mil pessoas já terão feito o depósito. Assim sendo, cerca de 600 mil dólares já teriam sido arrecadados sem o smartphone ter entrado efetivamente no mercado americano.
O CEO disse que o “lançamento foi adiado porque a empresa teve de passar por várias fases de desenvolvimento e testes para garantir que os componentes do telemóvel cumpriam os padrões de qualidade”. No entanto, Pat O’Brein assegurou que os smartphones devem chegar às pessoas dentro de algumas semanas, mas sem data exata. “Os telemóveis que foram pré-encomendados começam a ser entregues aos clientes esta semana”, declarou.
Um smartphone rebatizado?
Um dos traços mais característicos do equipamento estava anunciado no site oficial: uma produção feita integralmente nos Estados Unidos, mas questionada devido à baixa capacidade industrial americana para produzir smartphones em larga escala.
Mais tarde, a expressão “Made in USA” foi retirada e substituída por outras expressões como, por exemplo, “Feito com os valores americanos em mente”.
Nas declarações feitas à Reuters, Pat O'Brien afirmou que os primeiros dispositivos T1 são “montados nos EUA” e que o objetivo final da empresa é lançar um telemóvel cujos componentes sejam, na sua maioria, fabricados no país.
Vários analistas disseram que o telemóvel pode não ser o que aparenta. Por trás do marketing que associa Donald Trump ao mercado tecnológico e que cativa os apoiantes que se reveem nos ideais do Presidente, pode estar um equipamento com hardware chinês que foi “rebatizado”.
As aparentes semelhanças das características do T1 com os modelos produzidos na Ásia levaram desta forma a suspeitas se o smartphone seria de facto totalmente produzido com tecnologia americana.
- Noticiário das 3h
- 13 jun, 2026








