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Tensão EUA - Alemanha

"Não aconselharia os meus filhos a irem" para os EUA, diz chanceler alemão

16 mai, 2026 - 01:30 • Catarina Magalhães

Merz já não vê os Estados Unidos como a "terra dos sonhos" e das oportunidades de carreira devido ao clima "profundamente polarizado".

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Depois de episódios de "humilhação", de retirada de tropas da Alemanha e rumores de realojamento na Polónia, o chanceler alemão, Friedrich Merz, anunciou na sexta-feira que, neste momento, não recomendaria os filhos a viver ou estudar nos Estados Unidos da América (EUA).

Perante uma plateia jovem numa convenção católica, Merz, pai de três filhos, defendeu que a Alemanha é um dos "poucos países que oferece oportunidades tão grandes, especialmente para jovens", reconhecendo que esta posição é influenciada pelo "clima social" vivido nos EUA.

“Não recomendaria que os meus filhos fossem hoje para os EUA, estudassem lá e trabalhassem lá, porque desenvolveu-se subitamente um clima social naquele país."

Estas declarações acontecem um dia depois dos EUA terem cancelado o envio de quatro mil tropas norte-americanas para a Polónia, com o objetivo de reduzir a força da defesa alemã como anunciado.

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O chanceler alemão já não vê os Estados Unidos como a "terra dos sonhos" e das oportunidades de carreira devido ao clima "profundamente polarizado".

"Sou um admirador dos EUA, no entanto, a minha admiração não tem crescido ultimamente", lamentou.

Em reação, o antigo conselheiro republicano e ex-embaixador norte-americano na Alemanha durante o primeiro mandato do Presidente dos EUA, Donald Trump, criticou a posição de Merz.

"O chanceler alemão tornou-se presidente europeu da TDS Society", escreveu Richard Grenell, referindo que o líder da Alemanha encabeça a chamada TDS – "Trump Derangement Syndrome" ("Síndrome de Obsessão Anti-Trump", em português).

O antigo conselheiro criticou a postura "completamente dócil e elogiosa" de Merz na última vez que visitou Trump na Casa Branca, no início do mês de março deste ano.

“Os alemães têm um líder sem estratégia — e completamente controlado pelos media alemães ‘woke’”, disse Grenell.

Já a oposição alemã acredita o próprio chanceler alemão é que "está deliberadamente a conduzir o seu próprio país para a ruína social e económica", acusou a líder de extrema-direita do país, Alice Weidel.

Apesar destas provocações colocarem tensão entre os dois países, Merz revelou que na sexta-feira conversou, por chamada telefónica, com Trump e garantiu que a Alemanha e os EUA "são parceiros fortes numa NATO forte".

"Estamos de acordo: o Irão tem agora de sentar-se à mesa das negociações. Tem de abrir o estreito de Ormuz. Teerão não deve possuir armas nucleares", escreveu Merz.

"Também discutimos uma solução pacífica para a Ucrânia e coordenámos as nossas posições com vista à cimeira da NATO em Ancara", nos próximos dias 7 e 8 de julho deste ano.

No final do mês de abril, Merz deixou críticas à maneira como Washington está a lidar com os conflitos internacionais, comparando a situação que se vive no Médio Oriente com a que já aconteceu no Afeganistão e no Iraque.

Em reação, o Pentágono avaliou os comentários e a retórica do chanceler alemão como "inapropriada e pouco útil", aprovando as ameaças do líder norte-americano.

Os EUA anunciaram, por isso, a 1 de maio que vão retirar cinco mil militares norte-americanos da Alemanha, de um total de 35 mil tropas – mais do que qualquer outro país da Europa.

A administração Trump revelou que a retirada deverá estar concluída nos próximos seis a doze meses.

Quando se der por terminada esta redução, a capacidade militar vai regressar aproximadamente aos níveis anteriores de 2022.

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