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Saúde

Ébola é "altamente infecioso" mas risco de pandemia é "muito reduzido"

17 mai, 2026 - 12:18 • João Carlos Malta

Virologista Pedro Simas diz que o ébola tal como o hantavírus não se pode comparar à Covid-19. Ainda assim, e apesar de ser um vírus com menos grau de contágio tem uma elevada taxa de mortalidade.

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O surto de ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda levou a OMS a declarar emergência de saúde pública. O virologista Pedro Simas diz que a situação na África Subsariana “é preocupante”, no entanto salienta que desde 1979 que há registo de vários surtos desta doença naquela zona do globo e que por isso a ideia de que se transforme numa pandemia é muito reduzida.

“Todos temos a memória destes surtos graves de vírus de ébola, mas não é um problema que em princípio dê origem a uma pandemia. Nós temos a memória da pandemia Covid, ainda há poucos dias falávamos sobre o hantavírus. Este também é um vírus que, desse ponto de vista, não é um perigo iminente de pandemia devido às suas características, pela forma como se transmite em humanos”, resume o investigador da Universidade Católica, Pedro Simas.

Simas não deixa de dizer que se trata um vírus “altamente infecioso”, mas “que se consegue conter com cuidados, com medidas, e não se transmite muito facilmente de pessoa para pessoa”.

O ébola, garante, não se transmite facilmente pelo ar facilmente, pelo que os dados científicos levam a crer que se “consegue conter estes surtos e não tem este potencial pandémico”.

O mesmo garante que desde 1979 que surtos como este estão documentados naquela zona do globo e que no passado nunca se transformaram em pandemias.

No entanto, chama a atenção para que se trata de um vírus que “é gravíssimo”, “é um vírus que provoca em média 40% de mortalidade”, e em algumas estirpes “pode ir até aos 90%”.

Portanto, “é motivo de preocupação grande para a comunidade internacional, para as autoridades de saúde e para estes países em que o vírus está envolvido”.

O mesmo Pedro Simas esclarece que este é um vírus em que o hospedeiro definitivo e natural não é o homem, “é transmitido por morcegos que vivem em zonas específicas" e "tem sido difícil prevenir que, de tempos em tempos, possam surgir estes surtos que são dramáticos”.

Em relação às probabilidades de a doença chegar a Portugal, o virologista afirma que há sempre risco, mas que também neste caso, a probabilidade é baixa.

Isto porque “no continente africano o vírus é endémico em espécies naturais selvagens”, e dadas as características socioeconómicas destes países, segundo Pedro Simas, “os surtos podem ser maiores ou menores, dependendo das medidas de prevenção e de emergência que são impostas e colocadas no terreno”.

Em Portugal, salienta, “é possível que haja um caso de importação, até é possível que possa haver uma transmissão se essa pessoa vem do Congo, em que teve um contacto e que foi infetada”.

O período de incubação varia entre uma ou duas semanas. “As pessoas não precisam ficar em pânico, que podem estar infetadas, é preciso haver um contacto direto”. Por isso, conclui, Portugal não está “em risco de desenvolver surtos incontroláveis”.

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