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“Taiwan não será sacrificado”: Presidente responde a Trump e deixa recado à China

17 mai, 2026 - 18:12 • Olímpia Mairos , com Reuters

O Presidente taiwanês, Lai Ching-te, garantiu que a ilha não será usada como “moeda de troca” entre Estados Unidos e China, após as declarações de Donald Trump e a cimeira com Xi Jinping em Pequim.

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Taiwan não será “sacrificado” nem usado como moeda de troca e não desistirá do seu modo de vida livre perante pressões externas, afirmou este domingo o presidente Lai Ching-te, acrescentando que a venda de armas dos Estados Unidos à ilha constitui um compromisso de segurança previsto na lei norte-americana.

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As declarações, publicadas na rede social Facebook, representam a primeira resposta direta de Lai à cimeira realizada na semana passada, em Pequim, entre o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping. O encontro gerou preocupações em Taiwan relativamente ao apoio de Washington à ilha governada democraticamente.

Trump afirmou que ainda está a avaliar se avançará com novas vendas de armamento a Taiwan e declarou que os Estados Unidos “não procuram que alguém diga: ‘vamos declarar independência porque os Estados Unidos nos apoiam’”.

“Muito preocupados”

Lai Ching-te reconheceu que os taiwaneses estão “muito preocupados” com o conteúdo das conversações sobre Taiwan durante a reunião entre Trump e Xi, agradecendo ao mesmo tempo ao governo norte-americano pela atenção contínua à paz e estabilidade no estreito de Taiwan e pelo apoio à ilha.

O Presidente taiwanês garantiu ainda que Taiwan não pretende provocar nem agravar conflitos.

Mas também não desistiremos da nossa soberania nacional, da nossa dignidade, nem do nosso modo de vida democrático e livre sob pressão”, afirmou o Presidente, acusando a China de ser a principal fonte de instabilidade regional.

Até ao momento, Pequim não reagiu às declarações.

A China nunca excluiu o uso da força para colocar Taiwan sob o seu controlo e considera a ilha uma província chinesa e não um país soberano.

“Taiwan não será negociado”

Lai Ching-te sublinhou que a manutenção da paz e estabilidade no estreito de Taiwan é um interesse comum entre Taiwan, os Estados Unidos e outros países democráticos.

Taiwan não será, em circunstância alguma, sacrificado ou negociado”, escreveu.

O Presidente destacou ainda que a cooperação de segurança e as vendas de armamento entre Taiwan e os EUA assentam na Lei das Relações com Taiwan, legislação norte-americana de 1979 que obriga Washington a fornecer meios de defesa à ilha.

Isto não é apenas um compromisso de segurança dos EUA para com Taiwan, mas também a mais importante força de dissuasão contra ações que ponham em causa a paz e a estabilidade regionais”, acrescentou.

Apesar de a administração Trump ter aprovado, em dezembro, um pacote de venda de armas no valor de 11 mil milhões de dólares — o maior de sempre —, a agência Reuters noticiou que um segundo pacote, avaliado em cerca de 14 mil milhões, continua pendente de aprovação presidencial.

“País soberano”

Lai reiterou ainda a sua posição de que Taiwan é “um país soberano, independente e democrático”, defendendo que o futuro da ilha deve ser decidido exclusivamente pelo povo taiwanês.

A soberania de Taiwan não pode ser violada nem anexada”, afirmou, concluindo que esta posição representa “o maior consenso do povo taiwanês” e corresponde ao atual status quo que o governo pretende defender.

Não existe qualquer chamada questão da independência de Taiwan”, rematou.

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