Ouvir
  • Noticiário das 14h
  • 21 jul, 2026
A+ / A-

Saúde Pública

Diretor-geral da OMS alerta para propagação da epidemia de ébola e justifica emergência

20 mai, 2026 - 00:34 • Lusa

“A escala e a velocidade da epidemia exigiam uma ação urgente”, explicou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A+ / A-

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, justificou na terça-feira que declarou como emergência de saúde pública de importância internacional a atual epidemia de Ébola na África Central, antes de convocar o comité de emergência, pela escala e velocidade de propagação da doença.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), falava perante o comité de emergência e, no seu discurso, justificou que tomou a medida de declaração de emergência, no domingo, “em conformidade com o Artigo 12.º do Regulamento Sanitário Internacional, após consultar os ministros da Saúde” da República Democrática do Congo (RDCongo) e Uganda.

Após as conversações, concluíram que “a escala e a velocidade da epidemia exigiam uma ação urgente”, acrescentou Ghebreyesus.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

De acordo com o diretor-geral da OMS, até ao momento, foram confirmados 30 casos na RDCongo – nação vizinha de Angola – na província de Ituri, no nordeste do país, que enfrenta também um conflito com vários grupos rebeldes, nomeadamente o Movimento 23 de Março (M23).

O Uganda também informou a OMS de dois casos confirmados na capital, Kampala, incluindo uma morte, entre dois indivíduos que viajaram a partir da RDCongo, sua nação vizinha.

“Existem vários fatores que justificam uma séria preocupação quanto ao potencial de maior propagação e de mais mortes”, alertou, enumerando esses fatores.

Primeiro, além dos casos confirmados, existem mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes. Segundo, foram registados casos em áreas urbanas, incluindo Kampala, a cidade de Goma na RDCongo e Bunia, que é uma grande cidade, prosseguiu. Terceiro, foram registadas mortes entre profissionais de saúde, o que indica uma transmissão associada aos cuidados de saúde, alertou. Quarto, existe um movimento populacional significativo na área, nomeadamente na província de Ituri, que é altamente insegura, explicou.

Por fim, disse ainda que esta epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma espécie de vírus Ébola para a qual não existem vacinas nem tratamentos terapêuticos.

A OMS tem uma equipa no terreno a apoiar as autoridades nacionais na resposta e mobilizou pessoal, mantimentos, equipamentos e fundos, anunciou.

Para sustentar tais ações, Ghebreyesus aprovou um valor adicional de 3,4 milhões de dólares (de cerca de 3,13 milhões de euros) do Fundo de Contingência para Emergências (CFE), elevando o total para 3,9 milhões de dólares (cerca de 3,36 milhões de euros).

O Fundo de Contingência para Emergências da OMS é um mecanismo financeiro de resposta rápida, e está desenhado para libertar uma primeira tranche de até 500 mil dólares em 24 horas ou menos, de forma a que as equipas da organização possam atuar como primeiros intervenientes imediatos.

O CFE disponibiliza capital imediato enquanto mecanismos mais lentos ou de maior dimensão — como o Fundo Central das Nações Unidas para a Resposta a Emergências (CERF) — são mobilizados.

Face à propagação da doença, o prémio Nobel da Paz Denis Mukwege apelou esta terça-feira ao movimento rebelde M23 que reabra o aeroporto de Goma, um polo humanitário no leste da RDCongo, a fim de facilitar a resposta à epidemia de Ébola.

A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infetadas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

Ouvir
  • Noticiário das 14h
  • 21 jul, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque