Guerra no Médio Oriente
Trump: Bloqueio de Ormuz continua até que haja acordo "certificado e assinado"
24 mai, 2026 - 17:20 • Reuters
Trump admite que as negociações estão a progredir e que a relação dos EUA com o Irão se tornou mais profissional e produtiva. Mas acrescenta: "Ambos os lados devem ter calma e fazer tudo bem. Não pode haver erros!"
Donald Trump põe alguma água na fervura das expectativas de um acordo iminente que ponha fim ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão.
O presidente norte-americano disse este domingo que instruiu os seus representantes para não se precipitarem em qualquer acordo, aparentemente diminuindo as esperanças de um avanço rápido na guerra que dura há três meses. Ambos os lados tinham levantado essa esperança no sábado.
O bloqueio dos EUA aos navios iranianos no Estreito de Ormuz "permanecerá em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado", escreveu Trump no Truth Social.
Médio Oriente
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Trump admite que as negociações estão a progredir e que a relação dos EUA com o Irão se tornou mais profissional e produtiva. Mas acrescenta: "Ambos os lados devem ter calma e fazer tudo bem. Não pode haver erros!"
Um dia antes, Trump tinha dito que Washington e o Irão tinham "negociado em grande parte" um memorando de entendimento sobre um acordo de paz que reabriria o Estreito de Ormuz, que antes do conflito transportava um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito.
Trump tem sublinhado repetidamente a possibilidade de um acordo para pôr fim à guerra que os EUA e Israel iniciaram a 28 de Fevereiro, até agora sem sucesso.
Não ficou claro se o acordo a que se referia no domingo era o memorando de entendimento inicial que tem vindo a ser discutido ou um acordo de paz amplo e muito mais complexo, que provavelmente levará muito mais tempo.
Os dois lados continuam em desacordo sobre inúmeras questões difíceis, como as ambições nucleares do Irão e as exigências de Teerão para o levantamento das sanções e a libertação de dezenas de milhares de milhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas em bancos estrangeiros.
Vários órgãos de comunicação social nos EUA e no Irão afirmaram que o memorando que estabelece uma estrutura para o fim de meses de combates, se concluído, suspenderia o bloqueio americano à navegação iraniana e reabriria a via navegável, que o Irão fechou com ameaças de ataques a navios.
Esperança de alívio na crise energética global
Uma fonte iraniana de alto nível disse anteriormente à Reuters que, se o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão aprovasse o memorando, este seria enviado para o Líder Supremo, Ayatollah Mojtaba Khamenei, para aprovação final.
Mas a agência de notícias iraniana Tasnim afirmou que ainda havia divergências sobre uma ou duas cláusulas. A Tasnim citou uma fonte dizendo que não haveria um entendimento final se os EUA continuassem a criar obstáculos.
Um conselheiro militar de Khamenei disse também que Teerão tinha o direito legal de gerir o Estreito de Ormuz, embora não tenha ficado claro se isso significava continuar a decidir que navios podem passar ou não passar a braço de água que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.
Qualquer acordo que consolide o actual cessar-fogo frágil traria alívio aos mercados, mas não resolveria imediatamente a crise energética mundial, que elevou os custos dos combustíveis, dos fertilizantes e dos alimentos.
Mesmo que a guerra termine agora, o caudal total através do estreito não regressará antes do primeiro ou segundo trimestre de 2027, afirmou o responsável da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi na semana passada.
A Guarda Revolucionária do Irão informou que 33 embarcações atravessaram o estreito nas últimas 24 horas depois de terem obtido permissão de Teerão, um número ainda muito inferior às 140 que passavam num dia normal antes da guerra.
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O Irão "deve compreender, no entanto, que não pode desenvolver ou adquirir uma arma ou bomba nuclear", reiterou o líder norte-americano na sua publicação de domingo.
O Irão há muito que nega estar a procurar tais armas e afirma ter o direito de enriquecer urânio para fins civis, embora a pureza alcançada exceda em muito a necessária para a geração de energia.
"Ainda há questões por discutir", diz o Irão
Fontes disseram à Reuters que a proposta, quando for apresentada, se desenvolverá em três fases: o fim formal da guerra, a resolução da crise no Estreito de Ormuz e a abertura de um período de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo, que poderá ser prolongado.
Trump, cuja popularidade foi afetada pelo impacto da guerra nos preços da energia nos EUA, disse na sexta-feira que não iria ao casamento do filho este fim de semana, citando o Irão entre as razões para permanecer em Washington.
O republicano falou no sábado com os líderes da Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Egito, Turquia e Paquistão, que o incentivaram a concordar com a proposta em desenvolvimento, informou o Axios.
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O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, declarou no sábado que "a tendência desta semana tem sido de redução das disputas, mas ainda há questões que precisam de ser discutidas através de mediadores".
Os bombardeamentos norte-americanos e israelitas contra o Irão mataram milhares de pessoas no país antes de serem suspensos por um cessar-fogo no início de Abril.
Israel matou também milhares de pessoas e expulsou centenas de milhares das suas casas no Líbano, país que invadiu em busca do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão.
Os ataques iranianos contra Israel e os países vizinhos do Golfo Pérsico mataram dezenas de pessoas.
- Noticiário das 22h
- 13 jul, 2026










