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Buscas na sede do PSOE em Madrid

27 mai, 2026 - 08:11 • Raul Santos , Olímpia Mairos , Hugo Monteiro

Operação judicial investiga alegadas comissões ilegais, faturas falsas e campanhas de desinformação ligadas ao partido de Pedro Sánchez, enquanto a oposição exige eleições antecipadas.

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Agentes da Unidade Central Operativa (UCO) da Guarda Civil entraram, na manhã desta quarta-feira, na sede nacional do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), na Rua Ferraz, em Madrid, no âmbito de uma investigação judicial relacionada com um alegado esquema de corrupção e possíveis irregularidades financeiras no partido liderado por Pedro Sánchez.

Segundo o jornal espanhol El País, a operação foi autorizada por um juiz com o objetivo de recolher documentação e informações sobre um possível esquema de financiamento ilegal e pagamentos suspeitos ligados a campanhas de desinformação contra magistrados, procuradores e elementos das forças de segurança.

Um porta-voz da Guarda Civil confirmou à agência Reuters que os agentes entraram nas instalações do partido, mas recusou prestar mais esclarecimentos sobre a operação em curso.

Investigação envolve alegadas comissões ilegais e faturas falsas

O caso judicial investiga crimes de organização criminosa, suborno, tráfico de influência, prevaricação, falsificação de documentos comerciais, divulgação de segredos, falsas acusações e crimes contra instituições do Estado.

De acordo com fontes judiciais e ligadas à investigação, citadas pelo jornal, as autoridades suspeitam da existência de pagamentos feitos pelo PSOE a Leire Díez e a outras pessoas envolvidas num alegado esquema destinado a promover campanhas de desinformação e pressão contra juízes e investigadores. Esses pagamentos terão sido, alegadamente, ocultados através de faturas falsas.

Apesar disso, as mesmas fontes sublinham que, até ao momento, não foram encontradas provas conclusivas de financiamento ilegal do PSOE.

Leire Díez garantiu ao jornal espanhol que não foi oficialmente informada de qualquer acusação relacionada com estes factos.

PSOE fala em “tranquilidade” e garante colaboração

A porta-voz do PSOE, Montse Mínguez, procurou transmitir uma mensagem de calma e garantiu total colaboração com a justiça.

“O Partido Socialista é diferente do PP e já demonstrámos isso em muitas ocasiões. Não há destruição de provas aqui. Toda a informação necessária será entregue”, afirmou, em declarações à Rádio Catalunha.

Sánchez garante “total colaboração com a justiça” e afasta eleições antecipadas

No Vaticano depois do encontro com o Papa Leão XIV, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez defendeu esta quarta-feira a atuação do Governo e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), garantindo “total colaboração com a justiça” perante as investigações em curso relacionadas com alegados casos de corrupção.

Total colaboração com a justiça... Respeitemos a justiça... com o compromisso do Partido Socialista em que se há comportamentos irregulares, novos, atuaremos com a mesma contundência com que já o fizemos no passado ”, afirmou Sánchez, à margem da visita ao Vaticano.

O líder do Governo espanhol insistiu que as investigações não colocam em causa o trabalho desenvolvido pelo executivo nos últimos anos.

Nenhuma dessas investigações, e já veremos em que acabam, e insisto, com toda a colaboração por parte da minha organização com a Justiça, não mancha em absoluto o que está a fazer o governo de Espanha e as forças progressistas em favor dos avanços sociais e económicos e das transformações que registamos há oito anos a esta parte ”, declarou.

Pedro Sánchez apelou ainda ao respeito pela presunção de inocência e garantiu que o PSOE não tolera comportamentos irregulares.

É preciso respeitar a presunção de inocência, perceber o que aconteceu nesses casos e atuar em consequência. Acho que nós, se temos demonstrado algo, é que somos um partido que não tem nada a esconder. Que não tem nada a esconder. E que quando tem que atuar, atua. E que, portanto, não convive nem coexiste com esse tipo de atitudes que efetivamente repudiamos”, disse.

Questionado sobre a possibilidade de eleições antecipadas, Sánchez afastou esse cenário e sublinhou que a prioridade deve ser a estabilidade política num contexto internacional marcado por conflitos e crises económicas.

Eu não posso convocar eleições por interesse partidário. Tenho que convocar eleições por interesse geral dos cidadãos. E o interesse geral dos cidadãos, hoje em dia, com guerras por todo o mundo, com crises que exigem respostas eficazes, é a estabilidade e a consolidação de políticas que nos estão a permitir escapar às consequências sociais e económicas destas crises. E se a Constituição diz que é de quatro anos a duração de uma legislatura, então, são quatro anos ”, afirmou.

Feijóo exige eleições antecipadas

A oposição espanhola reagiu de imediato à operação policial. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, voltou a pedir eleições antecipadas.

Estamos numa situação agonizante. Já começamos a correr risco de contágio institucional”, declarou Feijóo nos corredores do Congresso espanhol.

Já o ministro da Economia e vice-presidente do Governo, Carlos Cuerpo, defendeu uma política de “tolerância zero” perante comportamentos ilegais, apelando ao respeito pela presunção de inocência e pelos processos judiciais.

Empresas e contratos públicos na mira da justiça

A investigação centra-se ainda num alegado esquema de corrupção que envolverá Leire Díez, o ex-presidente da SEPI Vicente Fernández Guerrero e o empresário basco Antxon Alonso, proprietário da empresa Servinabar e próximo de Santos Cerdán, antigo secretário de Organização do PSOE.

Segundo os investigadores, os três utilizavam um grupo de WhatsApp chamado “Hiruro” — expressão basca que significa “nós três” — e terão criado, entre 2021 e 2023, uma estrutura destinada à recolha de alegadas comissões ilegais associadas a contratos públicos e ajudas estatais.

No total, as autoridades investigam cinco operações financeiras avaliadas em cerca de 132,9 milhões de euros.

Todos os suspeitos enfrentam acusações relacionadas com prevaricação, desvio de fundos públicos, tráfico de influência e organização criminosa.

Entre as entidades mencionadas na investigação encontram-se empresas públicas e privadas como Mercasa, Enusa, Sepides, Servinabar, Forestalia e Tubos Reunidos.

Um dos casos sob investigação envolve o resgate financeiro da Tubos Reunidos, aprovado pela SEPI em 2021, no valor de 112,8 milhões de euros, com aval do Conselho de Ministros espanhol.

Os investigadores acreditam que os alegados subornos, inicialmente estimados em mais de 750 mil euros, terão sido canalizados através da empresa Mediaciones Martínez S.L.

[notícia atualizada às 11h26 de 27 de maio de 2026, para acrescentar declarações de Pedro Sánchez]

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