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Meteorologia

ONU alerta para risco de calor extremo devido ao fenómeno El Niño

02 jun, 2026 - 13:17 • Olímpia Mairos

Organização Meteorológica Mundial prevê temperaturas acima da média, ondas de calor, secas e chuvas intensas nos próximos meses.

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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou esta terça-feira para a possibilidade de um fenómeno El Niño moderado ou forte nos próximos meses, capaz de elevar as temperaturas globais e aumentar o risco de fenómenos meteorológicos extremos em várias regiões do mundo.

Segundo a agência meteorológica das Nações Unidas, citada pela agência Reuters, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico tropical está a impulsionar o desenvolvimento do El Niño, que deverá prolongar-se pelo menos até novembro. A previsão aponta para temperaturas acima da média entre junho e agosto na maioria das regiões do planeta.

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Perante este cenário, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, defendeu que os países devem preparar-se para os efeitos do fenómeno. “Precisamos de nos preparar para um evento El Niño potencialmente forte, que irá agravar as secas e as chuvas intensas e aumentar o risco de ondas de calor tanto em terra como nos oceanos”, afirmou.

Secas, chuvas intensas e riscos para a saúde

O El Niño é um fenómeno climático caracterizado pelo aquecimento periódico das águas superficiais do Pacífico central e oriental. Os seus efeitos costumam alterar os padrões meteorológicos globais, provocando chuvas mais intensas em algumas regiões e secas severas noutras.

De acordo com a OMM, o fenómeno poderá trazer mais precipitação ao sul da América do Sul, a partes dos Estados Unidos, ao Corno de África e à Ásia Central. Em contrapartida, poderá provocar secas na Austrália, América Central, Indonésia e em várias zonas do sul da Ásia.

A organização alerta ainda para o aumento da atividade ciclónica no Pacífico central e oriental e para consequências associadas ao calor extremo, como a propagação de doenças transmitidas por mosquitos e carraças e a redução da disponibilidade de alimentos e água. Celeste Saulo avisou que “as comunidades que já enfrentam dificuldades serão empurradas ainda mais para além dos seus limites”.

Nestas declarações à Reuters, a responsável recordou também que o último episódio forte de El Niño, entre 2023 e 2024, contribuiu para que 2024 se tornasse o ano mais quente alguma vez registado, sublinhando o potencial impacto do fenómeno no agravamento das alterações climáticas.

Impacto poderá chegar aos preços dos alimentos

Além dos impactos climáticos, especialistas, ouvidos pela agência de notícias britânica, alertam para possíveis consequências económicas. O diretor-executivo da Barry Callebaut, Hein Schumacher, revelou que a empresa acompanha com preocupação a evolução do fenómeno, devido aos possíveis efeitos nas colheitas de cacau no Equador e na África Ocidental, regiões responsáveis por cerca de 60% da produção mundial.

“É algo que estamos a acompanhar com muita cautela. O El Niño poderá ter um impacto que conduza a aumentos de vários milhares por tonelada”, afirmou Schumacher, admitindo uma nova pressão sobre os preços da matéria-prima.

Guterres pede aceleração da transição energética

Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, aproveitou o alerta para reforçar a necessidade de acelerar a transição energética. “O mundo deve encarar isto como o urgente alerta climático que é. As condições de El Niño vão alimentar ainda mais o fogo de um planeta em aquecimento”, declarou.

Apesar de alguns serviços meteorológicos nacionais preverem o El Niño mais intenso da última década, a OMM mantém prudência quanto à sua magnitude. Ainda assim, os especialistas identificaram temperaturas subsuperficiais no Pacífico tropical mais de seis graus Celsius acima da média, criando uma vasta reserva de calor que continua a alimentar o aquecimento das águas à superfície e a aumentar o risco de fenómenos meteorológicos extremos à escala global.

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