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Médio Oriente

“Bibi, temos de parar com isto”: Trump admite ter chamado “louco” a Netanyahu

03 jun, 2026 - 14:14 • Olímpia Mairos , com Reuters

Presidente norte-americano admite ter repreendido duramente o primeiro-ministro israelita devido à continuação das operações militares no Líbano, apesar dos esforços dos Estados Unidos para alcançar um cessar-fogo e um acordo mais amplo com o Irão.

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Se alguém duvidava da tensão que marcou a recente conversa entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu, o Presidente norte-americano encarregou-se de esclarecer o assunto. Trump admitiu ter chamado “louco” ao líder israelita, revelando o descontentamento da Casa Branca com a continuação das operações militares no Líbano.

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Numa entrevista transmitida esta quarta-feira no podcast Pod Force One, Trump foi confrontado com informações divulgadas pelo portal Axios, segundo as quais teria insultado Netanyahu e acusado o líder israelita de ingratidão. Questionado diretamente sobre se lhe chamou “effing crazy” (“completamente louco”), o Presidente norte-americano respondeu sem hesitar: “Chamei. Não diria que estava zangado. Estava um pouco perturbado com os constantes combates dele com o Líbano.”

Apesar das críticas, Trump fez questão de sublinhar que mantém uma boa relação com Netanyahu. “Damo-nos muito bem”, afirmou, procurando desvalorizar o impacto da troca de palavras.

De acordo com o Axios, que cita um responsável norte-americano não identificado, Trump terá dito ao líder israelita durante uma chamada realizada na segunda-feira: “Estás completamente louco. Estarias na prisão se não fosse por mim. Estou a salvar-te. Toda a gente te odeia agora. Toda a gente odeia Israel por causa disto.”

Na mesma entrevista, o Presidente norte-americano confirmou ter pressionado Netanyahu para travar a escalada militar. “A certa altura disse: ‘Bibi, temos de parar com isto. Temos de parar com isto’”, relatou, utilizando a alcunha pela qual o primeiro-ministro israelita é frequentemente tratado.

As declarações surgem numa altura em que os Estados Unidos tentam promover um acordo mais amplo para pôr fim ao conflito regional. O Irão tem insistido que não aceitará qualquer entendimento enquanto um eventual cessar-fogo não abranger também o Líbano, onde Israel lançou uma ofensiva em março contra o Hezbollah, movimento apoiado por Teerão.

Apesar do acordo mediado por Washington e anunciado na segunda-feira, os confrontos continuam. Fontes de segurança libanesas referiram que ataques de drones israelitas provocaram pelo menos seis mortos no sul do país e atingiram um veículo nos arredores de Beirute. Israel, por sua vez, afirmou ter intercetado uma aeronave hostil alegadamente lançada pelo Hezbollah.

Trump rejeitou ainda as acusações de que teria sido manipulado por Netanyahu para apoiar uma ofensiva contra o Irão. Questionado sobre essa hipótese, respondeu de forma seca, classificando os seus críticos como “o inimigo”.

As palavras agora confirmadas revelam um raro momento de fricção pública entre dois líderes que, ao longo dos anos, mantiveram uma relação próxima, mas também demonstram a crescente preocupação da Casa Branca com o impacto político e diplomático da continuação das operações militares israelitas na região.

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