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Médio Oriente

Irão assinala nenhum "progresso tangível" nas negociações com EUA

04 jun, 2026 - 00:50 • Lusa

Qualquer ataque a Beirute levaria a "uma retoma em larga escala da guerra" no Médio Oriente, alerta o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, assinalou na quarta-feira que não houve "qualquer progresso tangível" nas negociações com os Estados Unidos da América (EUA) para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

"Houve uma troca de mensagens sobre a necessidade de pôr fim à agressão contra Beirute, mas não foram feitos progressos tangíveis no processo de negociação", destacou Araghchi, referindo-se aos ataques israelitas contra o Hezbollah, um grupo pró-Irão, no Líbano.

O governante, que falava numa entrevista dada a uma estação de televisão libanesa, divulgada pela agência de notícias Tasnim, acrescentou, sem adiantar mais pormenores, que "o regresso à mesa das negociações está condicionado à garantia dos direitos do povo iraniano, ao fim da guerra no Líbano e à redução das tensões na região".

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Araghchi alertou também que qualquer ataque a Beirute levaria a "uma retoma em larga escala da guerra" no Médio Oriente, após ameaças israelitas contra o Hezbollah, um grupo pró-Irão.

"Se a agressão israelita contra Beirute continuar, as nossas forças armadas estão totalmente preparadas para retomar a guerra e atacar alvos dentro de Israel", garantiu.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, avisou na terça-feira que os subúrbios do sul de Beirute, um bastião do movimento xiita, seriam atingidos caso o seu território fosse alvo de ataques.

Já o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, insistiu na quarta-feira, durante uma audição no Congresso, que as principais operações militares contra o Irão tinham terminado, apesar dos novos confrontos entre o Irão e os EUA.

"Já não estamos a realizar ataques contínuos no Irão para enfraquecer as suas forças armadas porque a Operação Fúria Épica terminou", declarou, depois de ter afirmado no dia anterior, durante outra audição no Congresso, que "a guerra acabou".

Rubio referia-se à campanha de bombardeamento dos EUA iniciada em 28 de Fevereiro e ao acordo de cessar-fogo alcançado em 08 de abril, que se encontra agora numa situação extremamente frágil.

"Quanto a quem ganhou, posso dizer o seguinte: nós definimos a vitória. Definimos a vitória como a destruição da sua base industrial de defesa, a redução significativa dos seus lançadores de mísseis, a redução significativa do seu arsenal de drones, e alcançámos todos estes objetivos, além de destruir o que restava da sua força aérea e aniquilar toda a sua marinha convencional", apontou Rubio.

Os congressistas democratas criticaram estas declarações após o retomar dos confrontos entre o Irão e os Estados Unidos e os ataques iranianos contra o Kuwait, referindo também que o estreito de Ormuz permanece bloqueado.

O Kuwait afirmou ter sido alvo na quarta-feira de um total de 13 mísseis balísticos e 17 drones iranianos.

De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), o Irão também disparou mísseis em direção ao Bahrein durante a noite de quarta-feira, o que levou a ataques aéreos de retaliação dos EUA contra a ilha iraniana de Qeshm. Teerão alega que os mísseis atingiram uma torre de comunicações.

Após o cessar-fogo de 8 de abril entre os Estados Unidos e o Irão, as hostilidades praticamente cessaram.

Mas foram retomadas nos últimos dias, particularmente em torno do estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para hidrocarbonetos bloqueada por Teerão.

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