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Médio Oriente

Irão reafirma apoio ao Hezbollah e exige retirada de Israel do sul do Líbano

05 jun, 2026 - 15:34 • Olímpia Mairos , com Reuters

Teerão insiste que qualquer acordo de paz para a região deve incluir um cessar-fogo no Líbano e a retirada das forças israelitas do território libanês.

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O Irão voltou a reafirmar o seu apoio ao Hezbollah e a defender que qualquer acordo para pôr fim ao conflito regional deverá incluir a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano.

Numa entrevista à televisão libanesa Al Mayadeen, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que a guerra não poderá ser considerada terminada sem uma solução para a frente libanesa.

"Esta guerra só terminará quando terminar também no Líbano", declarou, acrescentando que "o fim da guerra no Líbano deve ser acompanhado pela retirada das forças israelitas dos territórios que ocuparam".

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As declarações, citadas pela agência Reuters, surgem numa altura em que Teerão procura garantir que um eventual entendimento com Washington inclua também um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah. A posição iraniana ganha relevância depois de o líder do movimento xiita libanês, Naim Qassem, ter rejeitado um acordo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o Governo libanês, por considerar que o entendimento não previa a retirada das forças israelitas nem contou com a participação do Hezbollah nas negociações.

Apesar dos esforços diplomáticos, os combates prosseguem no terreno. O Hezbollah anunciou esta sexta-feira dois ataques contra posições israelitas no sul do Líbano, incluindo junto ao Castelo de Beaufort, enquanto fontes de segurança libanesas relataram novos bombardeamentos israelitas sobre várias localidades da região.

Também o conselheiro do líder supremo iraniano, Mohsen Rezaei, citado pela agência britânica, reiterou o compromisso de Teerão com o grupo libanês, sublinhando que "o Hezbollah fez grandes sacrifícios na recente guerra e é nosso aliado". Por essa razão, garantiu, "apoiamos o Hezbollah e mantemos firmemente os nossos compromissos para com ele".

Rezaei deixou ainda um aviso a Israel, defendendo que o país deve abandonar o território libanês. "Hoje voltamos a alertar este regime sinistro para deixar o Líbano", afirmou, acrescentando que "o Líbano será uma parte inseparável de qualquer acordo e cessar-fogo".

No Líbano, o presidente do Parlamento e aliado do Hezbollah, Nabih Berri, mostrou abertura para uma retirada dos combatentes do movimento do sul do país, mas apenas se essa medida for acompanhada pela saída simultânea das tropas israelitas das áreas que ocupam.

Já o Presidente libanês, Joseph Aoun, criticou a influência iraniana nas negociações em curso com os Estados Unidos, acusando a Guarda Revolucionária de utilizar o país como uma "moeda de troca". Em declarações à CNN, considerou que essa situação é simplesmente "inaceitável".

Tensão mantém-se apesar dos cessar-fogos

A instabilidade continua a marcar a região, mesmo após os cessar-fogos promovidos pelos Estados Unidos. Nos últimos dias foram registados incidentes no Líbano, em Gaza, no norte de Israel e também no Kuwait.

No Golfo de Omã, a marinha iraniana afirmou ter efetuado disparos de advertência contra navios norte-americanos para impedir alegadas ações de "assédio marítimo" e tentativas de apreensão de embarcações comerciais. No entanto, o Comando Central dos Estados Unidos negou a versão iraniana, garantindo que as suas forças não foram alvo de qualquer ataque. Numa mensagem divulgada na rede social X, o comando militar sublinhou que "as forças iranianas não atacaram nem dispararam contra navios da Marinha dos EUA" e recordou que tal ação constituiria "uma grave violação do cessar-fogo".

Enquanto prosseguem as negociações indiretas entre Washington e Teerão, o Estreito de Ormuz mantém-se no centro das preocupações internacionais. A via marítima continua a operar muito abaixo dos níveis habituais devido ao conflito, afetando o transporte global de petróleo e gás natural.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem insistido que o principal objetivo norte-americano é impedir que o Irão desenvolva armas nucleares. Teerão, por seu lado, rejeita essa acusação e sustenta que o seu programa atómico tem fins exclusivamente pacíficos.

Ainda assim, a retórica iraniana continua a endurecer. O vice-presidente do Parlamento iraniano, Hamid-Reza Haji Babaei, defendeu que o enriquecimento de urânio é um direito soberano do país e lançou uma mensagem dirigida a Washington, afirmando que Donald Trump "não compreendeu que a bomba atómica mais poderosa do Irão é o Estreito de Ormuz".

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