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RD Congo

OMS lança plano de 450 milhões de euros para travar surto de Ébola na RDC

05 jun, 2026 - 15:59 • Olímpia Mairos

Surto já provocou 62 mortos e 381 casos confirmados na República Democrática do Congo. OMS e Africa CDC alertam que a propagação da doença está a acelerar e pedem financiamento e compromisso político para evitar uma crise de maiores dimensões.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta sexta-feira um plano conjunto de resposta ao surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDC), avaliado em 518 milhões de dólares (cerca de 450 milhões de euros) para os próximos seis meses, apelando a financiamento urgente e a um forte compromisso político para conter a propagação da doença.

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Ao apresentar a estratégia, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhou que se trata de um plano com objetivos concretos e calendário definido. “É um plano com prazo definido, que cobre o período de junho a novembro deste ano, e o custo do plano é de 518 milhões de dólares”, afirmou.

Tedros alertou ainda que as autoridades de saúde continuam a enfrentar dificuldades para acompanhar o ritmo da propagação da doença. “O surto está a avançar rapidamente e continuamos a correr atrás do prejuízo”, disse, defendendo que o sucesso da resposta depende de vários fatores. “Conter o Ébola exige compromisso político, financiamento sustentado e confiança no envolvimento das comunidades”, acrescentou.

Segundo o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), a epidemia permaneceu sem deteção durante várias semanas, permitindo a sua disseminação antes de ser identificada pelas autoridades sanitárias. Esse atraso deixou os serviços de saúde “atrás da curva”, numa luta para recuperar o controlo da situação.

Até ao momento, foram registados 381 casos confirmados e 62 mortes confirmadas na RDC, de acordo com os dados divulgados pelo organismo africano.

O atual surto é provocado pela rara variante Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual não existe atualmente qualquer vacina ou tratamento aprovado, aumentando as preocupações das autoridades de saúde.

O diretor-geral do Africa CDC, Jean Kaseya, não escondeu a gravidade da situação. “Este surto é muito grave. Se o compararmos com surtos anteriores da variante Bundibugyo, este é o mais grave que já tivemos”, afirmou durante a conferência de imprensa conjunta.

Kaseya revelou também que os doadores internacionais prometeram até agora 315,8 milhões de dólares para apoiar o combate à doença, um valor inferior aos 498 milhões inicialmente anunciados, após alguns financiadores terem revisto os montantes comunicados. O responsável não esclareceu, contudo, se essas verbas serão canalizadas para o novo plano de resposta apresentado pela OMS e pelo Africa CDC.

O Africa CDC anunciou oficialmente o surto da variante Bundibugyo — o 17.º surto de Ébola registado na República Democrática do Congo — a 15 de maio. Pouco depois, a OMS classificou a situação como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, mobilizando esforços globais para tentar conter a propagação de uma das doenças mais mortais do mundo.

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