Médio Oriente
Bebé palestiniano de sete meses morre após disparos do exército israelita na Cisjordânia
06 jun, 2026 - 22:24 • Olímpia Mairos , com Reuters
A criança morreu no local e os pais ficaram feridos após disparos de soldados israelitas perto de Hebron. O exército admite que as vítimas eram civis e abriu uma investigação ao incidente.
Um bebé palestiniano de sete meses morreu e os seus pais ficaram feridos na sequência de disparos efetuados por forças israelitas na região de Tel Rumeida, a sul da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, informou o Ministério da Saúde palestiniano, citado pela agência Reuters.
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A vítima foi identificada como Sam Fahd Abu Haikal. Segundo as autoridades palestinianas, a criança morreu no local, enquanto os pais sofreram ferimentos provocados por bala e foram transportados para o hospital, encontrando-se em estado considerado moderado.
De acordo com o relato da avó do bebé, a família seguia de automóvel nas proximidades do Posto de Controlo 17 quando avistou veículos militares israelitas e soldados ao longe. A viatura terá parado, mas, pouco depois, foram efetuados disparos na sua direção.
“Uma bala atingiu o meu neto, atravessou-lhe o rosto e a cabeça, atingindo também a face da mãe, onde ficou alojada”, contou a avó. Segundo o mesmo testemunho, o projétil atingiu ainda um dedo do pai da criança. A mãe permanece hospitalizada.
Exército admite que vítimas eram civis
Em comunicado, o exército israelita explicou que, durante uma operação na região de Hebron, os militares identificaram um veículo que consideraram estar a acelerar na sua direção, levando um soldado a efetuar disparos isolados.
As Forças de Defesa de Israel confirmaram que três palestinianos ficaram feridos e foram encaminhados para tratamento médico. No entanto, uma investigação preliminar concluiu que os atingidos eram “civis não envolvidos”.
O exército acrescentou que o caso está a ser analisado e que as conclusões serão remetidas às autoridades competentes, manifestando também “profundo pesar” pelos danos causados.
Família contesta versão militar
Segundo o pai da criança, Fahd Abu Haikal, professor na Universidade de Belém, a família tinha parado o veículo depois de receber ordens dos militares israelitas.
Em declarações, citadas pelo The Guardian, o pai afirmou que um projétil atravessou a sua mão antes de atingir o filho, que seguia no banco traseiro ao colo da mãe. No veículo viajavam ainda o irmão mais velho da criança e a avó.
Fahd Abu Haikal rejeita a versão apresentada pelo exército israelita e garante que o automóvel estava completamente imobilizado no momento dos disparos.
“O carro estava parado e os soldados conseguiam ver claramente que éramos uma família”, afirmou, exigindo uma investigação completa e a responsabilização do militar que efetuou os disparos.
Tel Rumeida é uma das áreas mais sensíveis de Hebron, onde colonos israelitas vivem sob forte proteção militar no meio de bairros palestinianos. A região tem sido palco frequente de confrontos, operações militares e episódios de violência.
Segundo dados da União Europeia, mais de 700 mil colonos israelitas vivem em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, territórios onde residem também mais de três milhões de palestinianos. A presença dos colonatos continua a ser uma das principais fontes de tensão no conflito israelo-palestiniano.
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