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Caso Lyhanna: França manda reavaliar 70 mil denúncias de crimes contra menores

07 jun, 2026 - 21:45 • Olímpia Mairos , com Lusa

Caso da menina de 11 anos assassinada levou o Governo francês a ordenar uma revisão nacional de milhares de processos por violência sexual contra crianças e adolescentes.

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O Governo francês determinou a revisão de cerca de 70 mil denúncias relacionadas com crimes contra menores, na sequência do homicídio de Lyhanna, uma menina de 11 anos, num caso que está a gerar forte indignação no país.

O anúncio foi feito este domingo pelo ministro da Justiça, Gérald Darmanin, que pretende que todos os processos sejam analisados antes de 14 de julho.

"Não vou de férias e nenhum magistrado de alto nível o fará até que eu receba, um a um, os procuradores-gerais para avaliar a situação", afirmou o governante, antes de uma reunião com responsáveis judiciais em Paris.

Segundo Darmanin, o caso revelou "graves falhas" no funcionamento da Justiça, uma vez que o principal suspeito, Jérôme Barella, já tinha sido alvo de várias denúncias por violação e abuso de menores que não resultaram em medidas eficazes.

O ministro anunciou ainda que, dentro de duas semanas, será divulgado um relatório de inspeção que identificará eventuais responsabilidades e poderá conduzir a sanções disciplinares, incluindo a destituição de magistrados.

A decisão de reavaliar milhares de processos surge depois de a morte de Lyhanna ter reaberto o debate sobre a forma como as autoridades francesas tratam denúncias de violência sexual contra crianças.

Durante uma marcha de homenagem à vítima, que reuniu cerca de 6.000 pessoas em Fleurance, no sudoeste de França, o presidente da câmara local, Grégory Bobbato, criticou duramente as falhas do sistema.

"Lyhanna é o último capítulo de uma tragédia que se arrasta há demasiado tempo: a de silenciar as crianças", declarou o autarca, acrescentando que a morte da menina representa "uma falha social, nada menos".

A criança desapareceu a 29 de maio, depois de entrar no carro do suspeito à saída da escola. O seu corpo foi encontrado seis dias mais tarde num silo de cereais abandonado, situado a cerca de 15 quilómetros do estabelecimento de ensino.

A identificação foi confirmada através de testes de ADN, embora as autoridades ainda não tenham divulgado oficialmente a causa da morte.

Jérôme Barella, de 41 anos, pai de uma amiga da vítima, encontra-se em prisão preventiva. O suspeito é investigado por rapto e privação de liberdade e tinha já várias queixas por agressões sexuais contra menores, algumas arquivadas e outras ainda em investigação.

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