Ouvir
  • Noticiário das 12h
  • 10 jul, 2026
A+ / A-

Médio Oriente

Irão e Israel suspendem ataques (por enquanto)

08 jun, 2026 - 15:22 • Reuters

A vaga de ataques registada nas últimas 24 horas constituiu o confronto mais direto entre o Irão e Israel desde o cessar-fogo alcançado em abril.

A+ / A-

O Irão e Israel afirmaram esta segunda-feira ter suspendido os ataques mútuos, na sequência de um apelo do Presidente norte-americano,Donald Trump, para que ambos os lados cessassem imediatamente os disparos. No entanto, Teerão advertiu que retomará os ataques caso Israel continue a atingir o Hezbollah no Líbano.

A vaga de ataques registada nas últimas 24 horas constituiu o confronto mais direto entre o Irão e Israel desde o cessar-fogo alcançado em abril, ameaçando comprometer os esforços de Washington para negociar um acordo com Teerão que ponha fim à guerra, que já dura há mais de três meses.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Os preços do petróleo, que chegaram a subir até 5% após a intensificação das hostilidades, reduziram posteriormente os ganhos depois de as forças armadas iranianas terem anunciado o fim da primeira vaga de ataques contra Israel. O dólar também recuou após ter atingido o valor mais elevado em quase dois meses.

Uma fonte informada sobre o assunto revelou à Reuters que Israel decidiu igualmente suspender os ataques contra o Irão.

A escalada teve início depois de Teerão ter lançado mísseis contra território israelita na noite de domingo. Segundo as autoridades iranianas, a ação foi uma resposta aos ataques israelitas contra posições do Hezbollah, apoiado pelo Irão, nos arredores de Beirute.

Israel atingiu uma instalação petroquímica no sudoeste do Irão, alegando que esta era utilizada para a produção de mísseis balísticos. Em resposta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter atacado uma instalação semelhante na cidade israelita de Haifa.

“Resposta dolorosa”

O quartel-general das forças armadas iranianas declarou ter infligido uma “resposta dolorosa” a Israel pelos ataques realizados no Líbano, incluindo os bombardeamentos de domingo nos arredores de Beirute.

“Consequentemente, as operações das forças armadas são dadas por concluídas. Contudo, sublinha-se que, caso continuem as agressões e atos hostis — incluindo no sul do Líbano — seguir-se-ão ações muito mais severas e devastadoras do que as anteriores”, afirmou a instituição em comunicado.

A troca de ataques complicou a estratégia de Donald Trump para pôr fim ao conflito, iniciado pelos Estados Unidos e por Israel a 28 de fevereiro, e evidencia a facilidade com que a guerra pode evoluir para uma confrontação regional mais ampla. Embora um cessar-fogo anunciado a 8 de abril tenha interrompido os combates em grande escala, os incidentes no Golfo continuaram a ocorrer.

Numa série de publicações nas redes sociais, Trump afirmou que Israel e o Irão pretendem um “CESSAR-FOGO imediato”. “As negociações finais para a paz estão a avançar, desde que não sejam bloqueadas pela ignorância ou pela estupidez”, escreveu. O Presidente norte-americano acrescentou ainda que o bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos permanecerá em vigor até ser alcançado um acordo definitivo.

Um responsável israelita revelou que Trump falou esta segunda-feira com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Anteriormente, um porta-voz militar israelita garantiu que Israel estava preparado para prosseguir as operações “durante o tempo que for necessário” e confirmou ataques contra sistemas de defesa aérea iranianos recentemente reconstruídos, além do alvo petroquímico.

Do lado iraniano, o tom foi igualmente desafiante. Uma fonte militar citada pela agência semioficial Tasnim afirmou que Teerão está preparado para um conflito prolongado e poderá retomar ataques contra interesses norte-americanos na região.

Clima de “extrema desconfiança”

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, declarou que Teerão continua a trocar mensagens com Washington num ambiente de “extrema desconfiança”. Segundo o responsável, as ações de Israel no Líbano, com ou sem conhecimento e consentimento dos Estados Unidos, têm como objetivo sabotar os esforços diplomáticos.

Na capital iraniana, os meios de comunicação locais relataram explosões esta segunda-feira, com os sistemas de defesa aérea a intercetarem um drone sobre Teerão. Não foram registadas vítimas nem danos significativos.

Os rebeldes Houthis do Iémen, alinhados com o Irão, anunciaram entretanto a intenção de impedir a navegação israelita no Mar Vermelho e afirmaram ter lançado mísseis contra Israel.

Até agora, os Houthis tinham permanecido relativamente afastados da guerra regional. O grupo controla territórios junto à entrada do Mar Vermelho, uma rota estratégica para o transporte de petróleo do Médio Oriente, sobretudo perante as limitações impostas pela influência iraniana no Estreito de Ormuz.

Segundo fontes militares israelitas, o Irão disparou cerca de 30 mísseis balísticos contra Israel desde domingo à noite, enquanto os Houthis lançaram mais dois.

Israel declarou ter atacado instalações no complexo petroquímico de Mahshahr, utilizadas para a produção e exportação de matérias-primas destinadas ao programa iraniano de mísseis. Autoridades locais confirmaram que partes da infraestrutura sofreram danos.

A Organização Nacional de Emergência do Irão informou que 15 pessoas ficaram feridas nos mais recentes ataques israelitas, 14 das quais no distrito de Mahshahr. Não foram registadas vítimas mortais.

Por sua vez, os serviços de emergência israelitas indicaram que não houve feridos em resultado dos lançamentos de mísseis contra o país.

Negociações entre Líbano e Israel serão retomadas

Israel nunca interrompeu a sua campanha militar no Líbano, que já provocou milhares de mortos, argumentando que esta deve ser tratada separadamente de qualquer cessar-fogo com o Irão. O Hezbollah também manteve os seus ataques.

Teerão tem afirmado que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos depende do fim das operações militares no Líbano, invadido por Israel em março para perseguir combatentes do Hezbollah que disparavam através da fronteira em solidariedade com o Irão.

O embaixador norte-americano no Líbano, Michel Issa, anunciou esta segunda-feira que as negociações entre libaneses e israelitas deverão ser retomadas em Washington.

Entretanto, o Irão continua a bloquear grande parte do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito comercializados mundialmente antes do conflito. Paralelamente, Washington mantém o seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Donald Trump tem insistido que qualquer acordo de paz deve impedir o Irão de desenvolver armas nucleares. Entre as exigências de Teerão estão o levantamento das sanções internacionais, a libertação de milhares de milhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento da sua influência estratégica sobre o Estreito de Ormuz.

Ouvir
  • Noticiário das 12h
  • 10 jul, 2026
Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque