RELATÓRIO EUROPEU SOBRE DROGAS
Há cada vez mais drogas combinadas e mais potentes na Europa
09 jun, 2026 - 09:00 • João Maldonado
Relatório Europeu sobre Drogas alerta para um “policonsumo” de drogas cada vez mais comum. A canábis é a droga mais consumida entre os europeus. Com a cetamina em crescimento, só no ano passado foram acrescentadas 50 novas substâncias psicoativas à lista de monitorização.
“As pessoas que consomem drogas na Europa enfrentam novos riscos para a saúde, à medida que os mercados evoluem rapidamente e se tornam mais complexos”. É desta forma que arranca o comunicado da Agência da União Europeia sobre Drogas.
O Relatório Europeu sobre Drogas 2026 tem em conta 29 países: os 27 que compõem a União Europeia, a que se juntam a Noruega e a Turquia. A instituição sublinha que a capacidade da Europa para enfrentar os desafios atuais “dependerá do reforço dos sistemas de prestação de serviços e do investimento sustentado na prevenção, no tratamento, na redução dos danos e na reintegração social”.
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Com origem na canábis, é dado o alerta para novos produtos que estão a surgir, estando também a aumentar “a variedade de opioides e estimulantes vendidos”. Além disto, o “policonsumo de drogas é comum, verificando-se que as pessoas combinam drogas de formas que aumentam os riscos e dificultam as respostas”. E precisamente a este consumo misto é dada grande relevância neste documento.
Novas substâncias psicoativas a cada semana
A gama de substâncias disponíveis é cada vez mais diversificada, sendo salientada a alta frequência de “elevada potência ou pureza” associada às mesmas. Estão a ser detetadas “novas substâncias psicoativas (NSP) a um ritmo de cerca de uma por semana”, é referido. Assim sendo, a Agência da União Europeia sobre Drogas monitoriza, neste momento, 1.050 substâncias psicoativas (50 foram acrescentadas em 2025).
“As redes de tráfico estão a adaptar-se rapidamente aos esforços das autoridades. Na sequência do reforço das operações policiais nos principais portos europeus, os criminosos diversificaram as suas rotas e métodos para evitar serem detetados”, pode ler-se no relatório, recorrendo progressivamente a portos de dimensões menores ou a transferências no mar que envolvem lanchas de alta velocidade (também com o auxílio de drones).
A canábis é, de acordo com este relatório, “a droga ilícita mais amplamente consumida na Europa”. A estimativa aponta para que 24,9 milhões de adultos europeus (entre os 15 e os 64 anos) tenham consumido no último ano, sendo que se trata da droga responsável por 33% dos tratamentos de toxicodependência na Europa: o equivalente a mais de 100 mil utentes (aos números de 2024). O risco de danos é, claro, maior se o produto for adulterado com “canabinoides sintéticos” ou “semissintéticos”.
Droga fatal. 7.600 mortes por overdose
Num retrato pelos países europeus, Alemanha, Chéquia, Luxemburgo e Malta permitem um cultivo doméstico, com os Países Baixos a permitir em venda em determinados locais. As estimativas apontam para 7.600 mortes por overdose nos países analisados no espaço europeu, “na sua maioria envolvendo o consumo de várias substâncias” e estando, para além da heroína, “opioides sintéticos muito potentes e medicamentos para alívio da dor” presentes numa percentagem “significativa”.
Entre os opióides, só em 2025 foram detetados sete novos opióides sintéticos, incluindo nitazenos e orfinas. Só o fentanil, descrito como um opióide sintético muito potente, foi associado a mais de 100 mortes em 2024 e 2025 na Bulgária. Para combater esta droga é apelado ao aumento da vigilância, sendo recomendado o acesso a terapias e a programas de troca de agulhas e seringas.
Quanto ao consumo de cocaína, continua elevado em toda a Europa, estando também a aumentar o número de tratamentos relacionados com esta substância. 74 mil utentes referem este tipo de droga como a principal que consomem. Só no ano passado, segundo os dados da Agência Europeia, foi consumida por 4,3 milhões de adultos europeus. Os Países Baixos são indicados como principal local de processamento ilícito de produtos derivados da cocaína.
A cocaína crack é também referida como um “problema visível e potencialmente crescente em diversas cidades europeias, particularmente entre grupos marginalizados, o que pode ser impulsionado pela elevada disponibilidade de cocaína e pela facilidade com que esta é transformada localmente a partir da cocaína em pó”.
Um novo fenómeno vai também emergindo, mesmo com um consumo global considerado “relativamente reduzido”. Estando cada vez mais presente na vida noturna e entre o meio juvenil, em forma de pó inalado, “a cetamina, um medicamento essencial utilizado para anestesia e alívio da dor, está atualmente a ser cada vez mais consumida de forma abusiva como substância psicoativa na Europa”.
A maior parte da cetamina apreendida tem origem na Índia, sendo importada maioritariamente através da Alemanha. Se a entrada em espaço europeu é feita por meios lícitos, com “produção farmacêutica legítima”, há depois um desvio para canais ilícitos: um processo que em muito dificulta o combate e a apreensão.
- Noticiário das 14h
- 22 jul, 2026






