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Irlanda do Norte

Ferro e fogo. Segunda noite de violência contra imigrantes em Belfast

11 jun, 2026 - 07:55 • João Malheiro com agências

Ministro britânico para a Irlanda do Norte descreve protestos como "delinquência racista". Família de homem atacado por imigrante apela à calma e condena manifestações violentas.

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A cidade de Belfast foi de novo palco de protestos violentos anti-imigração esta quarta-feira à noite, depois de um homem ter sido esfaqueado por um imigrante do Sudão.

Um camião foi incendiado, assim como outras infraestruturas e a polícia teve de utilizar canhões de água para dispersar os manifestantes em Sandyknowes, nos arredores de Belfast, após cerca de 200 pessoas se terem reunido e atirado pedras e garrafas contra a polícia que tentava contê-los.

O portal Belfast Live noticiou que a multidão que se confrontou com a polícia tentava chegar com intenções hostis ao Hotel Chimney Court, local onde imigrantes costumam ficar alojados enquanto aguardam a resolução do seu pedido de asilo político.

Outro local onde se repetiram os distúrbios foi em Newtownabbey, onde grupos de jovens encapuçados e vestidos de preto atiraram todo o tipo de objetos contra a polícia, que tinha erguido uma barreira para lhes impedir a passagem.

O ataque que despoletou estes protestos deixou um homem sem um olho. Segundo as autoridades, o alegado autor, na casa dos 30 anos, foi detido por suspeita de tentativa de homicídio e permanece sob custódia após ter sido encontrada uma faca de cozinha no local.

Já a família da vítima diz-se revoltada com a reação violenta contra a comunidade imigrante: "Queremos deixar absolutamente claro que a nossa família não apoia este tipo de reação, e que o protesto pacífico é sempre a única via a seguir. Temos muitos migrantes que dão um contributo extremamente valioso ao nosso país, nomeadamente no nosso sistema de saúde e no setor da hotelaria e restauração, e dependemos deles para que o nosso país funcione".

"Não queremos que esta terrível tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade --- não façam isto em nome do nosso familiar, pois não partilhamos os mesmos valores", acrescentaram os familiares, numa nota divulgada pela polícia.

As imagens do ataque provocaram uma avalanche de comentários de ódio nas redes sociais e de apelos para se manifestar nas ruas de Belfast, comentários incitados por agitadores de extrema-direita como Tommy Robinson ou o magnata da tecnologia Elon Musk, a partir dos Estados Unidos.

Ministro fala em delinquência racista

Já esta quinta-feira o ministro britânico dedicado a assuntos da Irlanda do Norte descreve os tumultos dos últimos dias como "nada mais do que delinquência racista".

"Se estás a atacar pessoas com base na sua cor de pele, que outro termo é que podes usar?", questionou.

Num balanço à Sky News, Hilary Benn refere que os protestos de quarta-feira foram menos violentos do que na primeira noite e aponta que a violência dos últimos dias está a deixar um trauma profundo na comunidade imigrante na Irlanda do Norte

"É muito difícil expressar o medo que parte da comunidade de etnias minoritárias está a sentir aqui, com enfermeiras a verem os seus carros parados para lhes perguntarem qual é a sua nacionalidade. É chocante", afirmou o governante.

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