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Médio Oriente

Acordo entre Irão e EUA assinado a 19 de junho, diz Paquistão

14 jun, 2026 - 22:28 • Catarina Magalhães

"Ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano", garante o primeiro-ministro do Paquistão.

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O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou este domingo que o acordo entre o Irão e os Estados Unidos da América (EUA) vai ser assinado a 19 de junho, avançou a estação televisiva britânica BBC News.

O chefe de Governo paquistanês confirmou a notícia na rede social X (antigo Twitter), acrescentando que "ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano".

"Após intensas negociações, temos o prazer de anunciar que o Acordo de Paz entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irão foi ALCANÇADO", lê-se, agradecendo o "empenho" dos dois países para encontrar uma solução diplomática para o conflito.

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Depois do Irão contradizer o Presidente dos EUA, Donald Trump, ao afirmar que a assinatura do acordo provisório não seria este domingo, o representante do país mediador informou que a cerimónia oficial acontecerá a 19 de junho na Suíça.

Em reação, Trump celebrou a notícia na sua rede social Truth Social: "Parabéns a todos! Autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem portagem e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos."

O líder dos EUA já confirmou também que o acordo vai ser assinado de forma eletrónica e pode ser assinado por si ou pelo vice-presidente, JD Vance.

"Navios do mundo, liguem os motores. Que o petróleo flua!", festejou, mas já deixou a ameaça de voltar a atacar caso o Irão recue sobre as negociações nucleares.

Já o Irão sugeriu que os Estados Unidos foram "forçados a aceitar" o memorando de entendimento, mas o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, insistiu que assinar este memorando não significa confiar no "inimigo" apesar de trazer "um fim imediato à guerra".

"Não há outro caminho senão aceitar a derrota", afirmou o comando militar do Irão.

Segundo o primeiro-ministro libanês, o Paquistão, como mediador, ainda vai "facilitar uma série de reuniões esta semana".

Ainda não foram divulgados os termos exatos do acordo, mas, segundo fontes da agência Reuters, as questões sobre a expansão do programa nuclear iraniano ou sobre o enriquecimento de urânio vão ser apenas discutidas durante o período adicional de 60 dias de negociações.

Quais são os pontos acordados entre os EUA e o Irão?

Ainda são desconhecidos os pontos em específico acordados entre os dois países, mas uma agência iraniana semi-oficial Mehr News Agency avançou treze cedências provisórias entre Teerão e Washington citando uma fonte anónima:

  1. Fim permanente e imediato da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano;
  2. Compromisso dos EUA com a não interferência nos assuntos internos do Irão e respeito pela soberania da República Islâmica do Irão;
  3. Levantamento completo do bloqueio naval em 30 dias;
  4. Compromisso dos EUA em retirar as suas forças dos arredores do Irão;
  5. Reabertura do estreito do Ormuz em 30 dias, ao abrigo de acordos com o Irão;
  6. Suspensão das sanções sobre a venda de petróleo e produtos petroquímicos e derivados, e acesso irrestrito do Irão aos seus recursos financeiros;
  7. Planos de reconstrução a ser apresentados dos EUA e dos seus aliados, no total de, pelo menos, 258 mil milhões de euros (300 mil milhões de dólares);
  8. Um período de negociação de 60 dias para alcançar um acordo final sobre a questão nuclear e da remoção das sanções norte-americanas, inclusive das resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) [relativamente, por exemplo, ao enriquecimento de urânio, congelamento de bens e embargo na exportação de armas];
  9. Reafirmação do compromisso com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) de não produzir armas nucleares;
  10. Durante o período de negociação, os EUA comprometem-se a não enviar tropas adicionais para a região e não impor novas sanções;
  11. Libertação de mais de 20 mil milhões de euros (24 mil milhões de dólares) em fundos bloqueados do Irão no período de negociações que durará 60 dias, sendo metade desse montante disponibilizado ao Irão antes do início das conversas;
  12. Estabelecimento de um mecanismo de monitorização para implementar o acordo;
  13. O acordo final deverá ser ratificado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

E quais são as reações ao anúncio de paz entre Irão e Estados Unidos?

Para já, a Alemanha, França, Itália e Reino Unido decidiram anunciar, numa declaração conjunta, que estão preparados para levantar as sanções contra o Irão, mas também estão preocupados com a questão nuclear e com a "integridade territorial do Líbano".

"Este é um momento de oportunidade para restaurar a estabilidade regional e a economia global", mas "o Irão nunca deve adquirir uma armas nuclear", lê-se no documento.

"Trabalharemos intensamente com os EUA, o Irão e os parceiros regionais para aproveitar este momento e alcançar uma solução diplomática a longo prazo."

O Japão também comemorou este acordo e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse que o país "espera sinceramente" que a "navegação livre e segura pelo estreito de Ormuz seja garantida na prática e que um acordo final sobre a questão nuclear iraniana e outros assuntos seja alcançado o mais rapidamente possível".

É desta que o preço do petróleo desce?

Após o anúncio do Paquistão, o preço do barril de petróleo caiu quase 4%, descendo de 72,39 euros para 70,13 euros.

O estreito de Ormuz – um ponto estratégico por onde circula um quinto do petróleo comercializado no mundo – estava fechado desde 28 de fevereiro, pouco depois de os EUA e Israel terem lançado ataques aéreos contra o Irão.

[Notícia atualizada à 1h30 de 15 de junho de 2026 para acrescentar o memorando previsto, as reações e o preço do petróleo]

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