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Médio Oriente

"O acordo de Trump não nos vincula." Israel fora do acordo dos EUA com o Irão

15 jun, 2026 - 12:31 • Ana Kotowicz

"Estamos profundamente gratos ao Presidente Trump. No entanto, o Estado de Israel não é uma república das bananas", escreveu Ben-Gvir nas redes sociais.

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Israel está fora do acordo de cessar-fogo, anunciado pelo Estados Unidos e Irão no domingo. Apesar de um dos 14 pontos do acordo incluir o fim dos ataques israelitas no Líbano, segundo o primeiro-ministro do Paquistão, o entendimento do governo de Benjamin Netanyahu é outro. "O acordo de Trump não nos vincula. Israel não está subordinado aos Estados Unidos, e nós somos um Estado independente e soberano", escreveu o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir nas redes sociais.

Ao final da noite de domingo, Washington e Terrão anunciaram um memorando de entendimento para um cessar-fogo — que deverá ser assinado sexta-feira em Genebra, Suíça, e tem sido mediado pelo Paquistão — pondo fim ao conflito que dura há quase quatro meses.

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Pouco se sabe do acordo — a agência iraniana Mehr avançou alguns detalhes —, mas Shehbaz Sharif, primeiro-ministro paquistanês, falou expressamente de Beirute: "Ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano."

"Estado de Israel não é uma república das bananas"

O ministro Ben Gvir escreve que a "responsabilidade histórica" do Governo é garantir a segurança dos judeus na Terra de Israel e que Netanyahu não deve ceder à comunidade internacional.

"Sempre que cedemos à pressão internacional à custa da segurança de Israel, pagámos um preço de sangue com juros. Foi assim nos Acordos de Oslo, foi assim no acordo no Líbano em 2006 e foi assim durante todo o período de contenção em Gaza, que acabou por explodir contra nós", escreveu na rede social X.

Em seguida, e numa altura em que Donald Trump já assumiu publicamente ter perdido a paciência com Netanyahu, o ministro da Segurança Nacional frisa que Israel não tem de se submeter aos desejos da Casa Branca.

"Importa sublinhar: gostamos dos Estados Unidos e estamos profundamente gratos ao Presidente Trump. No entanto, o Estado de Israel não é uma república das bananas", acrescenta na mesma publicação.

Não devemos retirar-nos de qualquer território

"A minha posição é clara" — continua o ministro — "não somos parte deste acordo, que não garante a nossa segurança, e ele não nos vincula de forma alguma."

Ben Gvir diz ainda que Telavive não deve aceitar nada menos que "o desmantelamento do Hezbollah" não deve retirar-se "de qualquer território que os nossos combatentes conquistaram e limparam de infraestruturas terroristas", nem regressar a uma situação em que "milhares de terroristas estejam posicionados junto às vedações das localidades do norte". E conclui: "Acabaram os dias em que os judeus recebiam golpes e se resignavam. Nunca mais!"

Smotrich e Katz alinham no mesmo discurso

No governo de Benjamin Netanyahu, Ben Gvir não é uma voz isolada. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, defendeu que o acordo de cessar-fogo é "mau para Israel e para todo o mundo livre".

"Teremos de continuar a campanha para derrubar o regime [islâmico] por nós mesmos e de maneiras criativas, e garantir que o Irão nunca tenha armas nucleares", escreveu no X.

Já o ministro da Defesa, Israel Katz, garante que Telavive não vai retirar tropas de lado algum. "As Forças de Defesa de Israel permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza – por tempo indeterminado – para defender a fronteira e as comunidades israelenses contra elementos jihadistas", disse, citado pelo Haaretz.

O jornal israelita dá ainda conta de que as IDF realizaram ataques em al-Khiam e Haris, no sul do Líbano, já depois de anunciado o cessar-fogo.

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