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Conselho Europeu

O que esperar do Conselho Europeu? “Zelensky deverá pedir à UE que se prepare para ir a jogo”

18 jun, 2026 - 12:42 • Pedro Mesquita

“Quando e como, ninguém sabe… nem nomes”, admitem à Renascença fontes diplomáticas nos corredores de Bruxelas, mas é provável que o Presidente da Ucrânia insista esta quinta-feira que a União Europeia se deve preparar “para ir a jogo”, logo que avancem negociações entre Kiev e Moscovo para o fim da guerra.

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Esta semana ficou a saber-se que um elemento do gabinete de António Costa – presidente do Conselho Europeu - estabeleceu contactos diplomáticos “breves” com o Kremlin para abrir canais de comunicação com Moscovo. E o assunto deverá marcar o arranque deste Conselho Europeu quando esta quinta-feira – uma vez mais – Volodymyr Zelensky se sentar à mesa com os 27, no regresso da reunião do G7.

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Fonte diplomática, em Bruxelas, sublinha à Renascença que a Ucrânia já não é vista como estando numa situação de extrema fraqueza, na guerra com a Rússia: “Viraram o bico ao prego, sem o apoio dos EUA. E conseguiram fazê-lo por mérito militar próprio e uma extraordinária capacidade de inovação nas indústrias de defesa (produção de drones)”.

Conclusão: “Há uma maior fragilidade da Rússia que pode levar Moscovo ao diálogo”.

É neste quadro que o Presidente da Ucrânia tem alertado a União Europeia de que “deve preparar-se para ir a jogo”, se e quando se abrirem as portas da negociação.

Quem poderá representar os 27 nesse cenário? Esta é apenas uma das muitas dúvidas que se colocam, mas há uma aparente certeza: “Não seremos mediadores porque defendemos uma parte (a Ucrânia)”, diz a fonte da Renascença, acrescentando que “é preciso um entendimento sobre as incertezas”.

Noutro plano, Zelensky chega esta quinta-feira a Bruxelas com uma ambição renovada. Apesar de não ser um entusiasta do alargamento da União Europeia à Ucrânia, o novo primeiro-ministro húngaro – Péter Magyar – não se opõe. Caiu o muro da Hungria e arrancaram oficialmente, esta semana, as negociações para a adesão da Ucrânia, com o apoio dos 27.

Na proposta de conclusões deste Conselho Europeu, a que a Renascença teve acesso, é saudada a abertura do chamado “cluster dos fundamentos” nas negociações para a adesão. Fontes diplomáticas em Bruxelas procuram, contudo, refrear o entusiasmo: “A Ucrânia quer aderir rapidamente, mas isso não vai funcionar.”

Por mais rápida que seja, a integração da Ucrânia pode levar anos e é neste ponto que surge uma outra dúvida: agora que arrancaram formalmente as negociações de adesão, será que Zelensky já aceitaria a proposta do chanceler alemão para transformar a Ucrânia, para já, num “membro-associado” da União?

O estatuto não existe, mas permitiria aos representantes de Kiev participarem nas reuniões dos 27, embora sem terem direito a voto. A ideia de Merz não terá agradado a ninguém, quando chegou por carta. Ainda assim, há agora quem reconheça que este passo – a acontecer – permitiria um envolvimento mais efetivo da Ucrânia com a futura família, enquanto aguarda pelo dia da adesão à União Europeia.

Próximo Quadro Financeiro Plurianual

Será este, tudo indica, o principal tema deste Conselho Europeu, mas o debate está reservado para o segundo dia do Conselho Europeu, esta sexta-feira.

O projeto de conclusões desta cimeira de chefes de Estado e de governo dos 27 reconhece, explicitamente, que o objetivo “é alcançar um acordo até ao final do ano”.

Qual é a pressa? Há pressa porque o Orçamento terá de entrar em vigor a 1 de janeiro de 2028, mas em 2027 a negociação pode complicar-se porque é ano de eleições em França e em Itália.

Fontes diplomáticas em Bruxelas avisam, contudo, que a não existir um acordo já este ano (2026), a questão pode derrapar. Se assim for, “há um risco elevadíssimo de não haver também acordo no próximo ano”. Conclusão? Se os 27 não se entenderem rapidamente sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual, teme-se que a União possa entrar numa gestão por duodécimos, a 1 de janeiro de 2028.

As contas a fazer, até lá, são complicadas e difíceis de gerar consenso. Ao que a Renascença apurou, os dinheiros destinados à PAC (Política Agrícola Comum) e à coesão podem recuar de 68 para 45%. Pelo contrário, as verbas destinadas às políticas da competitividade deverão sofrer uma valorização de 16 para 30%.

Ainda é cedo para dizer como vai evoluir este debate, mas parece haver já uma boa noticia para Portugal: face à primeira versão apresentada pela Comissão Europeia, o nosso país irá – tudo indica – receber mais 1,6 mil milhões de euros, ou perto disso.

Mercado Único – “The Never Ending Story”

Entre os temas fortes deste Conselho Europeu, volta a falar-se da aposta na Competitividade e Inovação, defendida no relatório Draghi. As principais economias europeias insistem que é preciso avançar sem demora, passar à prática o slogan “Uma Europa, um Mercado”, até ao final de 2027.

À margem da reunião informal de chefes de Estado e de Governo em Chipre, foi aprovado o “road map” (o roteiro), mas é preciso executar. Fontes diplomáticas em Bruxelas referem-se a este tema como uma “Nerver Ending Story” (História Interminável), numa altura em que a economia europeia continua a perder força em relação aos blocos económicos dos EUA e da China.

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