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Hungria

TV estatal húngara suspende noticiários para os tornar "independentes e fiáveis"

07 jul, 2026 - 17:38 • Reuters

O principal canal da estação estatal, M1, exibiu o anúncio num ecrã preto, com a mensagem: "Os meios de comunicação de serviço público não podem mentir. Pedimos desculpa por termos feito isto durante tantos anos".

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A televisão estatal húngara anunciou esta terça-feira a suspensão temporária dos seus noticiários, enquanto o Governo reformula os meios de comunicação de serviço público para os tornar "independentes e fiáveis".

O principal canal da estação estatal, M1, exibiu o anúncio num ecrã preto, com a mensagem: "Os meios de comunicação de serviço público não podem mentir. Pedimos desculpa por termos feito isto durante tantos anos."

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Ao início desta terça-feira, os meios de comunicação locais noticiaram a demissão de alguns editores da TV e rádio estatais. A Reuters não conseguiu verificar de imediato as informações.

As medidas estão em linha com a promessa eleitoral do novo primeiro-ministro, Peter Magyar, de reformular os meios de comunicação estatais e acabar com o que chamou de "propaganda" sob o Governo do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán.

"Os meios de comunicação públicos estão a ser reformulados para que possam ser independentes e fiáveis no futuro. A transmissão de notícias está temporariamente suspensa. Por favor, continuem connosco!", dizia o anúncio na M1.

Magyar, cujo partido derrotou o partido nacionalista Fidesz de Orbán após 16 anos no poder numa eleição em abril, começou a reformular os principais bastiões do poder de Orbán, incluindo os meios de comunicação estatais. Afirmou que irá restaurar os mecanismos de controlo e equilíbrio e reprimir a corrupção.

"É um dia histórico, pois a transmissão de propaganda terminou nos meios de comunicação de serviço público", disse Magyar numa publicação no Facebook na terça-feira, acrescentando que a rádio estatal Kossuth também deixou de transmitir.

Magyar disse após as eleições que queria criar "um serviço de notícias verdadeiramente equilibrado e objetivo". Num dos seus primeiros decretos como primeiro-ministro, ordenou uma revisão "abrangente e imediata" dos meios de comunicação social de serviço público e do seu financiamento.

Mas criar uma comunicação social de serviço público verdadeiramente equilibrada será um grande desafio, disseram os analistas.

Sob o governo de Orbán, os meios de comunicação estatais passaram a estar sob crescente controlo governamental à medida que novas leis sobre os media foram promulgadas, e vários veículos privados foram encerrados ou assumidos por empresários pró-governamentais.

A Hungria desceu para o 74º lugar em 2026, passando do 23º lugar em 2010 no índice de liberdade de imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras.

O Governo de Orbán negou exercer pressão sobre os meios de comunicação social e afirmou que cumpria os padrões da UE em relação à liberdade de imprensa.

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