Cimeira da NATO
"São má gente." Trump ataca Espanha e quer fim do acordo comercial
08 jul, 2026 - 10:57 • Ana Kotowicz
Governo de Pedro Sánchez já reagiu: recebe "com tranquilidade e normalidade" as declarações de Donald Trump e diz ter uma "magnífica relação" com Washington.
Novo ataque a Espanha. Desta vez, o país é um parceiro terrível, sem remédio e com má gente. Motivos suficientes para que o Presidente dos Estados Unidos queira cortar relações comerciais com Madrid. As declarações de Donald Trump foram proferidas esta quarta-feira, ao lado de Mark Rutte, secretário-geral da NATO. Pedro Sánchez, com quem Trump se irá cruzar na cimeira atlântica que decorre em Ancara, reagiu com cabeça fria: Moncloa recebe as palavra do norte-americano "com tranquilidade e normalidade".
"Espanha é um parceiro terrível na NATO. Não participa. Não paga. Não quero ter nada a ver com Espanha. Cortem todo o comércio com Espanha, por favor, incluindo as visitas", disse Donald Trump durante uma conferência de imprensa conjunta com Rutte, na capital da Turquia, na qual já tinha anunciado o fim do cessar-fogo com o Irão.
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Em seguida, e perante o silêncio de Rutte, o Presidente norte-americano avançou que tem falado com muitos líderes europeus, mas não com Pedro Sánchez.
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"Falei com a Alemanha, falei com a França, falei com o Reino Unido, falei com a Itália... Não falei com Espanha. Espanha é um caso perdido. Já não queremos fazer qualquer negócio comercial com Espanha. A propósito, gostava que redigisses isso, Scott [Bessent]", afirmou, numa referência ao secretário do Tesouro norte-americano.
Nas entrelinhas, lê-se que Trump quer pôr as suas afirmações — corte de relações comerciais — no papel.
Trump insistiu nas críticas e na ideia de que as relações bilaterais são para acabar, já que Madrid não está a aumentar a despesa com defesa para os 5% do PIB como o Presidente dos EUA Trump pretende.
"Façam-no imediatamente. Nem sequer falem com eles. Não têm remédio. São má gente. Porque, como sabem, todos os outros estão a pagar e a trabalhar, e Espanha, especialmente Espanha... Há mais um ou dois países, mas especialmente Espanha. Dizem-no abertamente, são hostis."
Mantendo o estilo de discurso que lhe é habitual quando critica líderes internacionais, Trump, em seguida, imaginou um cenário em que Espanha se arrependesse de não seguir as suas indicações para aumentar os gastos na defesa. "Veremos se continuam a ser tão hostis quando telefonarem a dizer: 'Por favor, por favor, queremos negociar convosco, senhor. Queremos negociar convosco, senhor'. Ganham muito dinheiro connosco, e vamos fazer com que ganhem muito menos. Não quero fazer qualquer negócio com eles."
De Madrid, com tranquilidade: "Mantemos uma magnífica relação"
Foi rápida a resposta do Palácio de Moncloa. As declarações de Donald Trump foram recebidas "com tranquilidade e normalidade", segundo uma declaração do Governo de Sánchez, citada pela imprensa espanhola.
"Espanha recebe com tranquilidade e normalidade estas declarações. O nosso país mantém uma magnífica relação social, cultural e económica com os Estados Unidos e não é nossa intenção que essa relação se altere." Esta é a reação oficial, citada pelo jornais espanhóis.
De resto, o governo de Espanha recorda que os Estados Unidos registam "um excedente comercial" nas trocas com Madrid, que a União Europeia é "uma união aduaneira e comercial, não se podendo individualizar nenhum Estado-membro".
Ou seja, a resposta de Sánchez é clara: mesmo que Donald Trump queira, não pode cortar relações comercias apenas com Espanha. Teria de pôr fim aos acordos com Bruxelas.
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- 15 jul, 2026








