Covid-19. Quase cinco mil portugueses pediram apoio no estrangeiro
17 mai, 2020 - 21:02 • Lusa
Governo vai criar programas para apoiar comunidades afetadas pela crise.
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Quase cinco mil portugueses pediram apoio para enfrentar a pandemia da Covid-19 e as consequências do confinamento imposto em todo o mundo, disse, este domingo, o ex-secretário de Estado das Comunidades e atual secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro.
Um apoio que a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, garantiu ter passado a ser uma orientação específica de consulados e embaixadas portuguesas.
"As dificuldades apanharam o Governo de surpresa e passaram pelo encerramento de fronteiras e espaços aéreos, com a consequente retenção de turistas e emigrantes nos países onde estavam", admitiu Berta Nunes, na iniciativa "Diálogos Digitais com as Comunidades Portuguesas Fora da Europa", realizada pelo PS.
A governante adiantou que, além disso, a pandemia também causou "o fecho de empresas que deixaram muitos trabalhadores sem emprego ou não ativos", a suspensão de aulas que, por exemplo, "deixou também em suspenso os alunos de Erasmus, além de dificuldades de isolamento, nomeadamente de idosos no estrangeiro".
"Temos acompanhado estas situações através dos consulados e embaixadas, que tiveram orientações para ajudar nas consequências da covid-19", afirmou Berta Nunes, admitindo que ainda restam muitos problemas, como os dos tripulantes portugueses retidos em navios.
"Estamos a acompanhar a situação dos cruzeiros que estão ao largo dos Estados Unidos e México e onde estão bastantes tripulantes portugueses", afirmou a secretária de Estado, explicando que as autoridades desses países não têm viabilizado o repatriamento.
Para conhecer as dificuldades das várias comunidades da diáspora e, assim, perceber como ajudar, os responsáveis governamentais resolveram ouvir vários representantes.
Foi o caso de Ricardo Magalhães, do Brasil, que elogiou o apoio que tem sido dado pelo consulado português, mas também o de Carlos Miranda, do Canadá, que se queixou da difícil situação em que, sobretudo, as empresas de construção civil ficaram na sequência da pandemia e lembrou que Toronto continua a não ter um cônsul que possa ajudar mais esta comunidade.
Da África do Sul, José Luís Silva alertou para o facto de a comunidade portuguesa ter vários membros a passar fome devido às consequências laborais provocadas pela Covid-19 e defendeu a necessidade de ser nomeada uma assistente social para a comunidade.
Nos Estados Unidos, a líder comunitária Isabelle Coelho-Marques também se queixou das várias consequências da pandemia para a comunidade portuguesa, sobretudo em Nova Iorque.
Governo vai criar programas para apoiar comunidades afetadas pela crise
A secretária de Estado das Comunidades anunciou a criação de vários programas para ajudar as comunidades portuguesas no estrangeiro a ultrapassar as dificuldades provocadas pela pandemia da Covid-19, e pelo consequente confinamento nos vários países.
Um desses programas visa "dar um apoio adicional" às associações que ajudam os portugueses, nomeadamente em países como a Venezuela e o Brasil, e que será suplementar ao programa anual para este fim.
"O apoio adicional visa as associações que dão apoio aos mais desfavorecidos, como os idosos, os desempregados ou até os presos" e deverá ser ativado "dentro de duas a três semanas", explicou Berta Nunes, em declarações à agência Lusa.
De acordo com a secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, "muitos portugueses são apoiados por associações, como é o caso da Venezuela e do Brasil, e essas associações precisam de apoio para continuar a ajudar".
Além disso será criado "um programa para apoio aos órgãos de comunicação social na diáspora", adiantou Berta Nunes, durante a sua intervenção na iniciativa do PS "Diálogos Digitais com as Comunidades Portuguesas Fora da Europa", hoje realizada.
Um programa que a secretária de Estado referiu à Lusa estar a ser ultimado, devendo ser aprovado em Conselho de Ministros daqui a cerca de um mês.
"O programa de apoio aos órgãos de comunicação social da diáspora abrange os órgãos de comunicação social registados nos respetivos países, que tenham tido perda de receita" relacionada com a pandemia, e que sejam publicados em português ou sejam bilíngues, revelou.
O modelo será semelhante ao que foi aplicado em Portugal, antecipando a compra de publicidade, mas funcionará através de um fundo do Ministério dos Negócios Estrangeiros ligado às receitas dos consulados, disse a governante, acrescentando que serão aplicados 200 mil euros.
Um terceiro apoio em desenvolvimento será o Programa Nacional de Atração da Diáspora, que visa "encontrar oportunidades de investimento no período pós-Covid-19".
A ideia "é atrair investimento da diáspora e aumentar as exportações através da diáspora, conseguindo novos mercados", declarou Berta Nunes.
"Sabemos que o investimento das comunidades em Portugal é importante, mas também há [pessoas] bem posicionadas em multinacionais que podem influenciar investimentos", avançou.
"Além das remessas, que são muito importantes", a comunidade portuguesa pode dar todo este "contributo que não pode ser ignorado", sublinhou a secretária de Estado, admitindo, no entanto, não ter ainda valores potenciais do investimento já que "ainda é preciso melhorar a informação".
Estes apoios, alguns dos quais serão pontuais, visam ajudar os portugueses que vivem e trabalham noutros países a enfrentar "uma situação excecional" como é a pandemia provocada pelo novo coronavírus.
As ajudas às comunidades portuguesas continuarão a funcionar também pelas formas já existentes, nomeadamente com o programa "Regressar" dos emigrantes, que irá manter o regime fiscal mais favorável, um apoio financeiro e linhas de crédito, mas que agora pretende ir mais além.
"Inicialmente o programa 'Regressar' não previa apoio a negócios, agora vai incluir apoios a pequenos investimentos", referiu Berta Nunes.
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