Covid-19
Uma em cada cinco organizações da Economia Social pode fechar nos próximos dois meses
29 jul, 2020 - 01:51 • Vítor Mesquita , Filipe d'Avillez
A crise provocada pelo novo coronavírus pode afetar de forma desastrosa o setor da Economia Social, conclui o estudo levado a cabo pelos institutos politécnicos de Setúbal e de Portalegre.
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Perto de uma em cada cinco organizações da Economia Social correm o risco de fechar portas nos próximos dois meses.
A conclusão é do estudo “Economia Social no contexto Covid-19”, desenvolvido por uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico de Setúbal e do Politécnico de Portalegre, que analisou a realidade atual das OES com o objetivo de contribuir para as políticas públicas e a gestão destas organizações.
O estudo foi coordenado pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).
O presidente do Conselho, Pedro Dominguinhos, coordenou o estudo e explica o impacto que a pandemia teve no setor, nomeadamente através da diminuição “da sua capacidade de intervenção, sobretudo na área da educação, das artes e da cultura.”
“Em segundo lugar, uma redução significativa das receitas, sem diminuição dos custos e sobretudo, uma perspetiva de dificuldades financeiras ao nível do pagamento de salários. O estudo é claro ao apontar que cerca de 20 por cento das organizações têm receio de que nos próximos meses tenham de fechar as portas se não houver uma intervenção significativa da arrecadação das receitas extraordinárias, doações ou outras iniciativas do Estado que possam ajudar estas organizações”, diz.
Segundo Pedro Dominguinhos o estudo é um alerta e mostra a necessidade de outra abordagem.
“Sobretudo ao nível da reavaliação da estratégia de angariação de fundos, ao nível ao apoio tecnológico, porque estas instituições têm de ter uma comunicação muito eletrónica de interfaces com instituições públicas. Por outro lado, a divulgação de um reporte em tempo real sobre as necessidades destas organizações de economia social.”
“Algo que é essencial é perceber que estas organizações precisam de capacidade de gestão financeira e recursos humanos e de interação com organismos da segurança social. A maioria destas organizações são de reduzida dimensão e assentam no voluntariado. A quarta área em que estas organizações pedem ajuda é ao nível do planeamento financeiro”, explica.
“Estas são atividades muito dependentes do fator trabalho. Não é por acaso que quando há qualquer problema, algum funcionário infetado, estamos a falar de problemas sérios, quer pela vulnerabilidade destas pessoas, quer pela vulnerabilidade da organização que depende muito dos recursos humanos e do trabalho no dia-a-dia. Nessas situações, é preciso outro tipo de ajuda, outro tipo de financiamento, que garanta o funcionamento normal porque estas instituições, que, em muitos locais, são as âncoras do ponto de vista da estabilidade social e da coesão social e de um conjunto de populações extremamente vulneráveis, sobretudo no caso da população mais idosa.”
Pedro Dominguinhos acrescenta ainda que estão em causa “sobretudo IPSS, Misericórdias, Bancos Alimentares, cooperativas, e também Cáritas, a nível distrital. Também nas mais variadas áreas desde educação, cultura, artes e apoio aos idosos e aos jovens.”
“Estamos a falar numa intervenção muito significativa na maior capilaridade a nível nacional, porque a amostra é representativa de todos os distritos a nível nacional e, portanto, são organizações que desempenham um papel essencial. A maioria destas instituições tem, até 20 empregados, portanto são de relativa pequena dimensão, mas que são os principais empregadores dessas organizações, em muitas localidades.”
Segundo o estudo, que é publicado esta quarta-feira no site de ambos os politécnicos que o realizaram em conjunto, pelo menos 19% das instituições sondadas revelam preocupação com a sobrevivência nos próximos dois meses.
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