Época balnear 2020
Já morreram 16 pessoas nas praias portuguesas
24 ago, 2020 - 15:17
Em pouco mais de dois meses e meio já morreram quase tantas pessoas como em toda a época balnear do ano passado. Só no último fim de semana 3 pessoas perderam a vida em praias: 2 no Algarve e 1, no Seixal. A Autoridade Marítima Nacional insiste que os cuidados acrescidos com a COVID-19 não devem fazer esquecer os riscos do mar.
Um jovem alemão perdeu a vida, no domingo,num agueiro da praia do Castelejo, em Vila do Boispo, que este ano não é vigiada. Um outro ficou ferido e aos quatro restantes acompanhantes valeu a ajuda de surfistas para o salvamento. Em Alvor, uma mulher de 68 anos também perdeu a vida, ontem, e, ainda na tarde de domingo, um rapaz de 13 anos foi dado como desaparecido depois de saltar de um pontão, no Seixal. As autoridades resgataram o corpo na manhã desta segunda-feira.
Três mortos no último fim de semana. Desde o início de junho, a Autoridade Marítima Nacional já regista dezasseis vítimas mortais em praias sob a sua jurisdição; vigiadas e não vigiadas, marítimas e fluviais. Sete em praias vigiadas e nove, em praias não vigiadas, apurou a Renascença.
Nesta contabilização não entram, por exemplo, as praias fluviais do Interior. São quase tantas como as desanove registadas em toda a época balnear do ano passado. Os salvamentos já são mais de quatrocentos.
O que é que se passa? É a pandemia?
A porta-voz da Autoridade Marítima Nacional, Comandante Nádia Rijo, admite que não tem provas concretas de que a pandemia tenha alguma ligação a uma eventual quebra nos cuidados em relação aos riscos que o mar apresenta. “Mas é um facto que tem obrigado a intensificar as campanhas de sensibilização no site e nas próprias praias, para o respeito do estado do mar, das bandeiras, das recomendações dos nadadores-salvadores, a existência de agueiros. As pessoas devem sempre privilegiar as praias vigiadas e nas não vigiadas, os cuidados devem ser redobrados”.
A Comandante Nádia Rijo chama também a atenção para a necessidade de evitar as horas de maior calor e por outro lado, de fazer uma boa hidratação. “Esse foi um problema no início da época balnear que, felizmente, agora já não acontece tanto”.
Preparados para a “invasão britânica”
Portugal já não está na lista de países “não seguros” em relação à COVID, para o governo de Boris Johnson. A decisão surgiu no fim da semana passada e já sem necessidade de cumprir quarentena no regresso, os britânicos não perderam tempo a fazer as malas para rumar a Portugal e especialmente ao Algarve.
A Comandante Nádia Rijo garante que as autoridades marítimas estão preparadas para o aumento significativo de turistas britânicos (e não só), sobretudo no sul do país.
“O dispositivo está pronto, disponível, com a particularidade de este ano poder haver uma resposta mais célere graças à existência de um projeto de monitorização e geo-referenciação das pessoas que estão no terreno”.
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