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Homicídio no Algarve

Jovens acusadas de matar e desmembrar amigo conhecem acórdão

27 abr, 2021 - 07:00 • Filipe d'Avillez

A reconstrução do crime, feita pelo Ministério Público, parece um episódio da série “Dexter”. E o amor que as autoras diziam sentir uma pela outra seguiu o mesmo caminho que o Diogo.

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As duas jovens mulheres que alegadamente mataram e desmembraram um amigo para lhe roubar a herança, no Algarve, conhecem esta terça-feira a sentença. A acusação pede penas de prisão superiores a 20 anos.

Maria Malveiro e Mariana Fonseca, respetivamente segurança e enfermeira, são acusadas de um rol de crimes, incluindo homicídio qualificado, profanação de cadáver, acesso ilegítimo, burla informática, roubo simples e uso de veículo, praticados em abril de 2020.

A reconstrução do crime, feita pelo Ministério Público com base em provas e na confissão das suspeitas, parece um episódio da série “Dexter”, e segundo a acusação foi precisamente essa a inspiração para as duas mulheres, que estavam numa relação amorosa. Isso e os 70 mil euros de indemnização que Diogo Gonçalves, de 21 anos, recebeu pelo atropelamento da sua mãe.

Mas as coisas não correram como correm na televisão. Quando as duas mulheres tentaram desfazer-se do corpo cometeram um erro ao lançar o torso do cadáver desmembrado de uma falésia, mas não caiu na água, fornecendo provas cruciais para a Polícia Judiciária.

Pouco depois Mariana e Maria foram detidas. Provas não faltam, incluindo filmagens de levantamentos de dinheiro. Ainda assim, dos 70 mil euros apenas conseguiram subtrair dois mil.

O que aconteceu na noite do crime não é fácil de confirmar, uma vez que as duas suspeitas apresentam versões contraditórias. Não foi sempre assim. No início Maria admitiu ter cometido o homicídio e ter desmembrado o corpo, mas, entretanto, a relação entre as duas terminou na prisão e agora acusam-se uma à outra.

A vida não é uma série

Certo é que na noite em que Diogo morreu as duas foram até sua casa e, segundo uma das versões, sob o pretexto de lhe fazer uma dança erótica, ataram-no a uma cadeira. Depois administram-lhe um soporífero que o deixou inconsciente. Pelo meio terá havido uma reanimação e muitas agressões, mas certo é que no final da noite Diogo estava morto e uma das suspeitas, ou ambas, tinha-lhe cortado os dedos. Um destes foi guardado para poder aceder aos seus serviços bancários através do telemóvel.

O resto do corpo foi desmembrado nessa noite e guardado em vários sacos do lixo. Estes foram descartados em zonas de mato, ou lançados ao mar. Um desses sacos, contendo o torso da vítima, não foi levado pelas ondas, tendo sido recuperado, comprovando que o Diogo tinha sido assassinado. Antes as duas suspeitas tinham deixado o seu carro junto a uma falésia, na esperança de que o seu desaparecimento fosse interpretado como suicídio.

Durante os dias que passaram entre o homicídio e a detenção a Maria e a Mariana foram usando as redes sociais do Diogo para dar a ideia de que ele ainda estava vivo.

Mas a vida não é uma série de televisão e a vida de Maria e de Mariana é agora uma série de arrependimentos e acusações mútuas. O tribunal decide esta terça-feira qual será o cenário para os próximos episódios nas suas vidas.

O Ministério Público pediu uma pena de prisão superior a 20 anos para as duas arguidas, enquanto a defesa pediu a absolvição, alegando a inexistência de provas para uma condenação.

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