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Dia Mundial da Saúde Mental

“As pessoas que chegam até nós são a ponta do icebergue”

10 out, 2022 - 10:39 • Filomena Barros

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, o diretor clínico da Casa de Saúde da Idanha e da Clínica Psiquiátrica de S. José alerta para o agravamento da ansiedade, depressão e isolamento social entre os jovens, por causa da pandemia.

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Não há números, mas há uma perceção de quem atende em consultório de mais casos de ansiedade e depressão nos adolescentes e jovens adultos.

O alerta surge esta segunda-feira Dia Mundial da Saúde Mental, 10 de outubro, que este ano tem como tema: “Faça a saúde mental e o bem-estar de todos uma prioridade global”.

À Renascença, o psiquiatra Pedro Varandas aponta a pandemia e o confinamento, que cortou os contatos sociais e fez aumentar a exposição à televisão, à internet, ao jogo virtual, etc.

“Fomos percebendo que o número de jovens com problemas de ansiedade e depressão estava a aumentar e, ao mesmo tempo, mais preocupante do que isso, os fenómenos de isolamento social que se agravaram muito na comunidade juvenil”, indica.

Alguns são novos casos, outros são de jovens que já estavam a ser acompanhados, mas, Pedro Varandas não tem dúvidas: “começam-nos a aparecer jovens em situação muito difícil que, eventualmente, se não tivesse havido os confinamentos no período pandémico, muitos deles não teriam desenvolvido estas situações de grande isolamento, ansiedade e depressão que nós estamos a ver surgir neste momento”.

Muitas destas situações são referenciadas, sobretudo, pelas famílias e serviços de saúde.

“Um pouco de tudo: pelas famílias, espontaneamente; pelos cuidados primários e também, um pouco, pelas escolas. Em situações em que há sofrimento psicológico, e estou a referir-me a outro tipo de casos que resultam de famílias disfuncionais ou por terem famílias desagregadas, etc., aí, é o sistema judicial que, diretamente ou através dos serviços sociais, apela à ajuda".

Neste contexto, a falta de capacidade de resposta para acompanhar os jovens é mais evidente. O psiquiatra Pedro Varandas diz que faltam pedopsiquiatras no Serviço Nacional de Saúde e defende mais equipas de saúde mental e mais camas para internamento. Até porque os casos que chegam aos centros das Irmãs Hospitaleiras representam apenas uma parte“.

"Quando nos chegam mais pessoas nestas condições, isso é a ponta do icebergue. Como somos uma instituição de cuidados em saúde mental, as pessoas não vem até nós por questões várias, até ligadas ao estigma, não vêm até nós num primeiro tempo. E as que chegam são as que representam aquilo que eu chamo de 'ponta do icebergue'”, conclui.

Perante a elevada incidência e o agravamento dos casos entre os mais novos, as Irmãs Hospitaleiras assinalam esta data com foco na saúde mental dos jovens.

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