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Saúde

Detetar restrição de crescimento do feto através do sangue? Em breve pode ser possível

16 nov, 2023 - 09:00 • Anabela Góis

Esta investigação é uma das vencedoras do Prémio Maria de Sousa 2023, que distingue investigadores portugueses, com idade igual ou inferior a 35 anos, em projetos na área das ciências da saúde.

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A restrição de crescimento fetal é uma doença que afeta até 10% de todas as gravidezes. Acontece quando a placenta não funciona corretamente e, por isso, o oxigénio e os nutrientes não chegam ao bebé que fica em risco de crescimento insuficiente, sequelas a nível neurológico e cardiovascular e, até, de morte.

A ecografia é a única forma de diagnosticar a doença, mas só permite identificar 30% das situações, sendo que, os 70% dos bebés que não são diagnosticados têm um risco de morte fetal cerca de quatro vezes superior.

Para melhorar a capacidade de diagnóstico, a médica Catarina Palma dos Reis, da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, explica à Renascença que está a desenvolver um projeto de investigação que “procura encontrar um biomarcador, ou seja, uma substância que seja medida no sangue da mãe e que possa ser utilizada para ajudar a fazer o diagnóstico da doença”.

“Com esse objetivo, primeiro, estudamos os fragmentos que a placenta liberta para o sangue da grávida, do ponto de vista da composição de proteínas e de genes, para tentarmos perceber se existe alguma assinatura especifica destas gestações com restrição de crescimento fetal.”

Depois, diz Catarina Palma dos Reis, “vamos procurar, especificamente, algumas proteínas que selecionamos na primeira fase e vamos tentar encontrá-las no sangue de participantes saudáveis e no sangue de participantes com restrição fetal”.

De momento, a investigação decorre no laboratório, mas a médica que está a fazer a especialidade de Obstetrícia acredita que vai ser possível ter resultados a médio prazo.

"Gostaríamos de terminar a fase 2, ou seja, determinar a validação no sangue das participantes no final de 2025. A partir daqui serão necessários estudos em maior escala, mas esperamos, daqui a dois anos, já poder ter uma indicação ou pelo menos um prospetivo candidato a biomarcador”, sublinha.

Catarina Palma dos Reis é uma das vencedoras do Prémio Maria de Sousa 2023, iniciativa da Ordem dos Médicos e da Fundação BIAL, que distingue e apoia jovens investigadores portugueses, com idade igual ou inferior a 35 anos, em projetos na área das ciências da saúde.

Os restantes vencedores são Inês Alves, investigadora do i3S, que propõe criar novas formas de diagnosticar e prever quão grave o lúpus será para cada pessoa; João Neto também do i3S, cujo projeto se centra num dos poucos tratamentos disponíveis para o tratamento do cancro gástrico; Nuno Dinis Alves, investigador do ICVS, irá estudar a importância das projeções serotoninérgicas para a flexibilidade cognitiva e a sua habilidade para reverter alterações em doenças associadas com o stress crónico e Sara Calafate, também do ICVS, com um projeto sobre a doença de Alzheimer.

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