Presidente do Instituto da Segurança Social demite-se
17 mai, 2024 - 13:36 • Lusa
Ana Vasques lamenta "falta de confiança" do Governo, depois da posição assumida sobre os acertos à retenção na fonte de IRS das pensões pagas pela Segurança Social no mês de abril e maio.
A presidente do Instituto da Segurança Social (ISS), Ana Vasques, apresentou hoje a demissão à ministra do Trabalho por entender que o atual governo demonstrou "falta de confiança", na sequência da questão da retenção do IRS nas pensões.
Na carta enviada à ministra Maria do Rosário Ramalho, e a que a Lusa teve acesso, a presidente do Instituto da segurança Social afirma que tomou a decisão de se demitir depois da "posição pública assumida pelo Governo a propósito dos acertos à retenção na fonte de IRS das pensões pagas pelo ISS no mês de abril e maio".
"Mostrando surpresa e "estupefação" relativamente a essa decisão e a este propósito apontando a omissão deste assunto na reunião do dia 22 de abril, entre o conselho diretivo do ISS, V. Ex.ª e o senhor secretário de Estado da Segurança Social, configuram objetivamente uma manifestação de falta de confiança do governo na presidente do conselho diretivo do ISS", lê-se na carta.
Esta matéria levou a presidente do ISS a ser chamada, em 09 de maio a pedido do Partido Social-Democrata (PSD), à comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, onde explicou que os acertos [da retenção do IRS nas pensões] foram feitos em abril e maio por uma questão técnica, "quando foi possível terminar os desenvolvimentos informáticos", afastando qualquer leitura política.
Na carta de demissão, Ana Vasques alega que informou o secretário de Estado da Segurança Social, Jorge Campino, em 24 de abril, "por e-mail", e posteriormente numa reunião em 29 de abril, além dos esclarecimentos na comissão parlamentar em 09 de maio.
Segurança Social faz acertos na retenção do IRS de 328 mil pensionistas
Nesse número global está incluída a devolução de I(...)
No entanto, em 29 de abril e através de um comunicado, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social manifestou-se "estupefacto" com o acerto da retenção na fonte nas pensões em abril e maio e afirmou que tal resulta "exclusivamente de orientação política".
"Apesar de tudo ter sido esclarecido, e apesar de o assunto ter ficado completamente dissipado quanto à correção técnica e legal e quanto à boa-fé com que agi perante a tutela neste processo (...) entendo não existir outra leitura possível a não ser a assunção por parte de V. Ex.ª de falta de lealdade da minha parte", escreve a presidente do ISS.
Ana Vasques justifica a sua decisão com as "posições publicamente tomadas pelo Governo e a ausência de qualquer tipo de abordagem por parte do Ministério após esses mesmos esclarecimentos".
Para a responsável, "estas imputações são graves" e representam uma "quebra de confiança que não é sanável", razões pelas quais diz estar "disponível para cessar funções".
Acrescenta que, apesar de a legislação obrigar a um prazo de aviso prévio de 60 dias, e se a tutela entender, está "disponível para cessar funções antes desse prazo".
Ana Vasques garante que pretende "preservar o bom funcionamento do ISS face a qualquer tipo de instabilidade gestionária e também contribuir para a existência de melhores condições internas".
Por outro lado, explica que considera que este é o "momento indicado" para tomar a decisão de demissão, que visa preservar a sua "dignidade, bom nome e reputação profissional", "tendo em conta que se encontram devidamente encaminhados assuntos de maior preocupação".
A presidente do ISS sublinha ainda que sempre pautou o exercício das suas funções "por uma conduta de rigor técnico e de ética profissional".
Questionado pela Lusa, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social confirmou apenas que recebeu o pedido de demissão.
Esta questão com as pensões surgiu depois de o Jornal de Negócios ter noticiado o caso de pensionistas que foram confrontados com uma redução do valor líquido da pensão paga em maio, sem que o recibo da mesma adiantasse uma explicação para esse facto -- já que o valor bruto da pensão se manteve, assim como a taxa de retenção do imposto, mas não o montante do desconto.
Posteriormente, o Instituto da Segurança Social esclareceu que foram feitos acertos na retenção do IRS das pensões de abril e maio de 328 mil pensionistas, para corrigir a retenção efetuada em janeiro com base numa tabela "provisória".
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