Clima
COP 29. Se países em desenvolvimento não forem ajudados "mantemos o problema"
11 nov, 2024 - 07:10 • Carla Fino , João Malheiro
Filipe Duarte Santos avisa que a UE até pode conseguir descarbonizar a sua economia até 2050, mas nada isso importará se outros países não conseguirem fazer o mesmo.
O especialista Filipe Duarte Santos considera que é importante que os países mais ricos ajudem as nações em desenvolvimento a combater as alterações climáticas e a fazer a transição energética. Se tal não acontecer, então "mantemos o problema".
"É extremamente importante. Mantemos o problema para os mais vulneráveis e afetados, apesar de não serem os responsáveis", defende, à Renascença, no dia em que arranca a COP29, que se realiza em Baku, no Azerbaijão.
O foco dos cerca de 200 países que estarão na cimeira do clima será s9obre o finaciamento climático que na opinião do professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é essencial para a descarbonização económica e, também, por uma questão de justiça.
"As emissões de Moçambique per capita são cerca de 20% mais baixas que as emissões per capita dos Estados Unidos. Este processo de cooperação é absolutamente essencial", aponta.
O professor catedrático admite, ainda, que a União Europeia até pode fazer "um brilharete" e conseguir a descarbonização da sua economia até 2050, mas nada isso importará se outros países não conseguirem fazer o mesmo.
"E, portanto, é do interesse dos países com capacidade financeira de auxiliarem os países em desenvolvimento em fazerem o mesmo", reitera.
No entanto, o número de presenças ao mais alto nível da COP29 deixa muito a desejar. Os principais chefes de Estado mundiais não vão marcar presença, como é o caso do Presidente francês Emmanuel Macron e a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O primeiro-ministro português Luís Montengro estará, igualmente, ausente.
Filipe Duarte Santos considera que, depois da eleição de Donald Trump e o facto do foco na resolução das alterações climáticas ser menor do que no ano passado, "não podemos ter grandes expectativas" em relação à cimeira do clima que decorre esta segunda-feira.
Não obstante, a COP continua a ter importância para este especialista, por ser "um espaço de diálogo em que todos os países participam".
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