04 abr, 2025 - 17:23 • Jaime Dantas , com Lusa
Membros da direção da associação de estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) terão, alegadamente, partilhado imagens íntimas de alunas - tiradas sem consentimento - num grupo de WhatsApp.
O caso está a gerar polémica na comunidade académica da cidade (e não só). Os envolvidos foram, entretanto, afastados pela associação de estudantes.
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Numa primeira reação, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse desconhecer o caso, mas defende que "qualquer situação de abuso ou de bullying segue processos disciplinares e, em última análise, um processo judicial".
O governante reforça, de todo o modo, a necessidade de criar uma estratégia para a utilização dos smartphones nos estabelecimentos de ensino.
A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto diz estar a analisar de “forma rigorosa” a alegada divulgação de fotografias e vídeos de alunas, gravados sem o seu consentimento.
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Num comunicado dirigido à comunidade da FEUP, a que a Lusa teve acesso, o diretor, Rui Calçada, explicou estar a acompanhar “de forma atenta e rigorosa” o evoluir da situação.
O diretor realçou que “estão a ser recolhidas e analisadas todas as informações relevantes de forma a apurar com rigor os factos em causa e os eventuais responsáveis”.
A direção da FEUP está a tomar todas as medidas adequadas, interna e externamente, junto das entidades competentes, “tal como resulta da lei e dos regulamentos internos aplicáveis na Universidade do Porto”, acrescentou.
Rui Calçada ressalvou ainda que a direção da FEUP está “profundamente empenhada” em garantir um ambiente académico saudável e acolhedor, promovendo um ambiente de respeito mútuo.
Contactada pela Renascença, a Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia do Porto remeteu esclarecimentos para a assembleia geral, marcada para quarta-feira da próxima semana, às 17h00.
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A alegada divulgação num grupo de WhatsApp de fotografias e vídeos de alunas, gravados sem o seu consentimento, foi revelada pela fundadora do movimento Não Partilhes, Inês Marinho, na rede social Instagram.
“Várias raparigas foram fotografadas por baixo das mesas e, sucessivamente, por baixo das saias. Descobriu-se também que existe um grupo de WhatsApp com oito pessoas onde se faz este tipo de partilhas e outras partilhas de conteúdo mais íntimo. Este grupo é constituído por ex-membros e membros atuais da Associação de Estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto [AEFEUP]”, expôs Inês Marinho.
Por seu lado, a Federação Académica do Porto (FAP) considerou, numa informação publicada na sua página oficial de Internet, de que o momento atual exige tolerância zero perante quaisquer situações de abuso e discriminação no sistema de Ensino Superior, que é um espaço de promoção dos valores de igualdade e respeito.
“Até ao momento, a FAP não recebeu qualquer queixa relativa ao caso noticiado. Porém, caso se verifique a receção de qualquer denúncia, a mesma será remetida à Inspeção-Geral da Educação e Ciência para imediata averiguação”, frisou.
Nesta sequência, a FAP voltou a defender a criação de um mecanismo nacional que permita aos estudantes, vítimas de assédio ou discriminação, a apresentação de denúncias em condições de segurança e confidencialidade.