Agricultores pedem que Europa volte a ter autonomia na produção alimentar
14 mai, 2025 - 08:30 • Marisa Gonçalves , Teresa Almeida , João Malheiro
Agricultores debatem em Bruxelas as orientações necessárias do próximo quadro financeiro da política agrícola comum.
É uma questão de soberania. Os agricultores querem que a Europa volte a ter autonomia na produção alimentar.
Para isso debatem esta quarta-feira, em Bruxelas, as orientações necessárias do próximo quadro financeiro da política agrícola comum.
À Renascença, Álvaro Mendonça e Moura refere pretender que Bruxelas garanta um volume adequado de recursos por forma a que a PAC recupere o que perdeu nos últimos anos, por causa da inflação.
“Queremos salientar a importância da produção de alimentos, da agricultura e da agricultura numa Europa que, para ter autonomia estratégica, tem que ter soberania alimentar. Para isso, é preciso olhar para a PAC de uma maneira diferente, orientá-la para a produção de alimentos. Isso é algo que se tem vindo a perder nos últimos anos. Tudo isto tem de ser, em todo o caso, compatibilizado com as preocupações de sustentabilidade ambiental e social”, afirma.
A conferência vai juntar eurodeputados, representantes de organizações de agricultores, decisores políticos e especialistas de seis países do sul da União Europeia. Tratam-se de Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Croácia.
Em cima da mesa vão estar alguns dos principais desafios que se colocam à agricultura e ao desenvolvimento rural e que passam, por exemplo, pela gestão da água ou por questões ligadas à concorrência.
“Tentar criar uma maior consciência de grupo entre os países do Sul da Europa no domínio agrícola, algo que já existe, por exemplo, entre os países do Norte. A Comissão, que também anunciou que apresentará uma estratégia global para a água, então nós queremos chamar a atenção do da diferente situação em que estão os países do Sul. O outro ponto, são as condições de concorrência. Dou um exemplo, não posso aceitar que haja matérias que, por razões ambientais ou de saúde, não possam ser usadas em Portugal, mas que possam ser utilizadas fora da Europa, por produtos que depois são consumidos em Portugal”, considera.
Álvaro Mendonça e Moura reitera, ainda, que a Europa tem de ser mais competitiva no mercado global, ao nível da produção de alimentos.... sobretudo, numa ocasião em que os orçamentos para a Defesa também ganham destaque.
“Evidentemente, nós não podemos pensar em termos de segurança apenas no aspeto mais militar, que é indispensável. Mas, o nosso ponto é o de chamar a atenção que a defesa passa também pela produção de alimentos, senão não terá autonomia estratégica e, portanto, é muito importante nesta altura, que três grandes parâmetros sejam tidos em conta: segurança, energia e agricultura”, conclui.
Ainda esta quarta-feira, a Confederação dos Agricultores de Portugal vai estar reunida com o Comissário da Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen.
Ao final do dia vai decorrer uma receção comemorativa dos 50 anos da organização, na casa da CAP, em Bruxelas.
- Noticiário das 16h
- 13 mai, 2026







