Famalicão
Despedimentos e lay-off na Coindu. "Tememos o pior"
23 mai, 2025 - 05:00 • Isabel Pacheco
A Coindu, em Vila Nova de Famalicão, despede 123 trabalhadores e deixa 237 em lay-off. A decisão acontece meio ano depois do fecho da unidade de Arcos de Valdevez deixar 350 no desemprego.
Ernesto Fernandes espera à porta da Coindu, em Joane, pelo fim do turno da mulher. Ficou desempregado há dois meses e é com expetativa que aguarda por novidades de Manuela, para saber como vai ser o futuro da família.
“Vamos ver o que se vai suceder. Não há nada a fazer. O que fazemos nesta idade?”, questiona. “Se ela calha de ir para lay-off , sou eu e ela nesta situação. Ela ainda tem emprego, eu não”, afirma Ernesto Fernandes, à Renascença.
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“Tem de ser um dia de cada vez”, diz resignado o antigo funcionário de uma empresa têxtil que fechou portas em abril, também em Vila Nova de Famalicão.
Minutos depois, a suspeita confirmava-se. Manuela trazia a indicação de que vai para lay-off. Só não sabe a data. “Só segunda-feira é que nos vão dizer”, conta a trabalhadora, que admite estar com “medo”.
É uma história que se repete depois de, no ano passado, já ter passado por um processo lay-off. “É outro de novo”. “Agora é pior porque tenho o marido desempregado”, lamentava.
Arcos de Valdevez
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A Maria Costa, 62 anos de idade e 33 de casa, calhou o mesmo destino: seis meses sem trabalho.
“O que eles [a administração] dizem é que não há trabalho. Só para 2027 é que vem uma grande encomenda”, conta a sexagenária, que admite que não se importava de ser ela uma das 123 pessoas despedidas. “Ia para a reforma, mas não nos mandam a nós [mais antigos]”.
A decisão da empresa apanhou de surpresa o sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes.
“Isto é uma muito má notícia, aponta o sindicalista Francisco Vieira.
“Neste momento tememos o pior. A partir do momento em que isto [a empresa] passou para as mãos de capital internacional [italiano], tememos uma deslocalização”, admite o responsável.
"Neste momento, a pergunta que se tem de fazer é se está garantida a continuidade da Coindu em Portugal e que Coindu?”, vinca o sindicalista, lembrando que a empresa abriu “há meia dúzia de meses” uma unidade na Tunísia e “há trabalhadores daqui a trabalhar lá”, adverte.
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