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MP abre inquérito a caso de dermatologista que recebeu 51 mil euros num dia

27 mai, 2025 - 11:29 • Ana Kotowicz

Um dermatologista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, terá recebido 400 mil euros por dez dias de trabalho adicional, cumpridos em diferentes sábados de 2024.

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O Ministério Público está a investigar o caso do dermatologista que, alegadamente, recebeu 51 mil euros por apenas um dia de trabalho no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Na véspera, também a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) anunciou a abertura de um inquérito à atividade cirúrgica adicional realizada no SNS, no seguimento deste caso, denunciado pela CNN Portugal.

Questionada pela Renascença, a Procuradoria Geral da República confirma "a existência de inquérito, o qual se encontra em investigação no DIAP de Lisboa".

Na passada semana, a CNN Portugal dava conta da história de um dermatologista que teria recebido 400 mil euros por dez dias de trabalho adicional, realizados em diferentes sábados de 2024 — a situação é possível no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), que permite fazer cirurgias fora do horário laboral. O objetivo? Reduzir as filas de espera nos hospitais.

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Além da investigação, a IGAS vai avançar com uma auditoria ao Serviço de Dermatologia da Unidade Local de Santa Maria, analisando factos — desde 2021 até ao momento — relacionados com a atividade cirúrgica realizada em produção adicional e com a classificação dos doentes em grupos de diagnósticos homogéneos (GDH). Estes GDH permitem agrupar doentes internados de acordo com o consumo de recursos, que têm de ser clinicamente coerentes e similares.

Ministra da Saúde: situação afeta imagem e confiança no SNS

Esta segunda-feira, confrontada com este caso pelos jornalistas, Ana Paula Martins considerou que é uma situação que afeta a imagem que os portugueses têm do Serviço Nacional de Saúde, apontando que foi aberto um inquérito interno por parte da administração da Unidade de Saúde Pública de Lisboa Norte.
"Estas situações, sempre que ocorrem, configuram uma situação que é grave por natureza", acrescentou a ministra da Saúde. "Reside sobre a instituição e sobre o Serviço Nacional de Saúde uma desconfiança, uma suspeita que em nada, naturalmente, abona na confiança dos portugueses, sobretudo daqueles que aguardam numa lista de espera por ter uma cirurgia ou por ter uma consulta", disse Ana Paula Martins.

Ordem dos Médicos pediu explicações

No mesmo dia, Carlos Cortes disse que a Ordem dos Médicos quer mais informações sobre este caso e que pediu esclarecimentos à unidade local de saúde (ULS) Santa Maria.
"A Ordem teve conhecimento desta situação através de uma reportagem na televisão. Não teve conhecimento direto (...) e logo, imediatamente, no sábado de manhã cedo, enviou um ofício à ULS Santa Maria a pedir explicações sobre a situação", esclareceu o bastonário dos Médicos que falava à margem das comemorações do 80.º aniversário da rede de hospitais e clínicas CUF, no Convento do Beato, em Lisboa.
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  • José Bastos
    27 mai, 2025 Cabeceiras de Basto 15:32
    Notícia enormemente triste. Uma vergonha. Humanidade... juramento de Hipócrates... altruísmo... sacrifício pelos outros... dar o melhor de si a cada dia... Balelas, balelas. Ganharão os médicos tão mal assim? Terão tão más condições de trabalho? Porquê tudo isto... porquê? Apenas uma tristeza pesada, acabrunhante e uma vergonha imensa... imensa... imensa...

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