APAH
Administradores de hospitais pedem reflexão ao Governo sobre planos de contingência
28 mai, 2025 - 06:30 • Anabela Góis , Diogo Camilo
Presidente da APAH, Xavier Barreto, assume que provavelmente um novo apagão seria melhor gerido do que aquele que aconteceu a 28 de abril, mas pede uma "intervenção mais transversal" do Governo para situações futuras.
Um mês depois do apagão que deixou o país parado, obrigou hospitais a cancelarem cirurgias e consultas e deixou alguns em risco de falharem na resposta aos doentes, o presidente da associação que representa os administradores hospitalares admite que não sabe o que aconteceria se a situação se repetisse - e se fosse mais prolongada.
"Se tivéssemos uma interrupção de energia semelhante àquela que tivemos há um mês, hoje provavelmente ela seria mais bem gerida do que aquilo que tivemos. Não tenho dúvidas. Mas não consigo antecipar o que é que aconteceria, por exemplo, se tivéssemos uma interrupção de 24 horas ou de 48 horas", afirma à Renascença Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).
O responsável diz ainda que, do apagão de abril, fica uma lição muito importante: o SNS é um todo e deve funcionar como tal, ao contrário do que aconteceu.
"Ainda não está totalmente interiorizada esta ideia de que temos de ter um plano que seja comum, que seja normalizado e que seja discutido entre todos. Nos dias a seguir houve hospitais que disseram com algum regozijo que conseguiram não parar, que estiveram a trabalhar normalmente, porque os seus geradores aguentavam um dia ou dois", afirma, referindo que é necessário discutir se tal faz sentido.
"Aqueles hospitais, de facto, não pouparam a energia que tinham porque chegava para um dia, dois dias, ou eventualmente mais. Mas se a interrupção fosse mais prolongada e se eventualmente os hospitais com menos autonomia tivessem de reencaminhar doentes para esses hospitais, se calhar essa energia poderia vir a ser necessária e poderia ter de ser poupada", declarou.
Xavier Barreto deixa ainda críticas ao Governo pela resposta a situações de crise.
"Falta uma intervenção mais transversal por parte do Governo, mas este último mês foi um período muito particular, com um Governo de gestão. Nunca tive a expectativa de que esta reflexão estivesse feita neste momento. E, portanto, eu espero que logo que o novo Governo tome posse que esse possa ser um tema prioritário", afirma o responsável da APAH, que refere que é necessário discutir de "forma mais alargada" os planos de contingência e "como é que os hospitais se podem entreajudar", de maneira a terem períodos mais prolongados de autonomia.
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