Fuga Vale de Judeus
“Processo cheio de mentiras”, dizem guardas que são de novo ouvidos pelos Serviços Prisionais
28 mai, 2025 - 10:01 • Liliana Monteiro
Dois meses depois, os oito guardas prisionais alvo de processo disciplinar na sequência da fuga de cinco reclusos da cadeia de Vale de Judeus voltam a ser convocados pelo Serviço de Auditoria e Inspeção (SAI). Esta quarta-feira, prometem falar para desmontar aquilo que designam por “mentiras”. Desta vez dizem poder defender-se porque já conhecem acusação.
Os oito guardas prisionais, alvo de um processo disciplinar na sequência da fuga de cinco reclusos da cadeia de Vale de Judeus, em setembro do ano passado, são ouvidos, de novo, esta quarta-feira e prometem quebrar o silêncio.
Os guardas foram de novo chamados para um interrogatório por parte dos Serviços de Auditoria e Inspeção (SAI) da Direção Geral dos Serviços Prisionais e, ao contrário do que aconteceu no primeiro interrogatório, não deverão remeter-se ao silêncio porque, dizem, já conhecem a acusação.
"Neste momento, já conhecemos o processo. Da primeira vez não prestámos declarações porque não sabíamos ao que íamos. O processo está cheio de mentiras que vamos desmontar nesta audiência isso. Mas só em tribunal é que isto vai terminar e as pessoas vão ter de tirar ilações do que está aqui a acontecer", diz à Renascença o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Frederico Morais.
O grupo é integrado por sete guardas e um chefe, todos alvo de um processo disciplinar instaurado pela ministra da Justiça Rita Alarcão Júdice. A auditoria realizada apontava “não cumprimento de instruções”, “falta de vigilância presencial e por videovigilância”, o que terá permitido a fuga e impedido a deteção atempada dos reclusos.
Frederico Morais afirma, “estão ali acusações muito graves sobre os elementos do corpo da guarda prisional e há incongruências muito graves”. Aponta o dedo ao Comissário da cadeia, “chega a dizer (no porcesso) que não autorizava os estendais, onde eles (fugitivos) puseram lençóis para tapar as camaras, quando depois tem uma norma interna que diz que os reclusos, para usar os estendais, têm de ir todos os dias ao chefe de sala para levantar as cordas”.
Acusa-o de “tentar sacudir a àgua do capote para cima dos guardas”, mas o presidente do sindicato considera que há factos ainda mais graves, “o ex-director geral Rui Abrunhosa diz que não sabia que havia falta de segurança em Vale de Judeus, nós entregámos documentação ao Dr Rui Abrunhosa, com atas das chefias que nunca cumpriram e isso está tudo no processo!".
Mais uma vez diz que o final deste caso só pode ser de arquivamento relativamente aos guardas e ameaça avançar com queixas noutras instâncias.
"Esperamos que haja arquivamento do processo porque ele é ridículo! O próprio inspector do Serviço de Auditoria e Inspecção pede escusa porque tem convivência com alguns elementos que estão ali. Ou seja, ele começou o processo, fez a acusação e depois pede escusa. O processo esta viciado”.
E promete, “estou disponível para ir à Comissão Europeia, falámos com partidos políticos e com o partido que suportava, e pode suportar governo, porque isto é mau demais para o Estado Português”.
Frederico Morais diz não ter dúvidas de que “as responsabilidades são de alguém e têm de ser apuradas, os responsáveis têm de sofrer as consequências, mas não é o corpo da guarda prisional que cumpria ordens".
- Noticiário das 20h
- 15 jun, 2026








