Campanha Banco Alimentar
Isabel Jonet alerta: “Vê-se a forma indigna como muitos imigrantes estão a morar”
30 mai, 2025 - 07:00 • Henrique Cunha
Na véspera de mais um fim de semana de recolha de alimentos, a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares reforça a sua preocupação com a situação dos imigrantes e com o preço da habitação. "Mete muita impressão pensar que em Portugal, 50 anos após o 25 de abril, ainda há pessoas que estão atiradas para caves e que têm apenas um colchão para dormir."
O Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) reforça preocupação com imigrantes e preço da habitação. Em vésperas de nova campanha de recolha de alimentos, a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet, revela, em entrevista à Renascença, que as instituições apoiadas alertam para as condições "indignas" em que muitas pessoas vivem.
“As instituições que apoiamos dão-nos nota de que há muitos imigrantes ilegais e, por vezes, legais que estão a trabalhar, mas que têm hoje um peso da habitação muito grande ou que não têm sequer uma habitação condigna. E estas pessoas, sobretudo imigrantes de países orientais, estão numa situação que nos aflige muito, porque vê-se a forma indigna como estão a morar e isso é muito, muito pungente", diz Isa bel Jonet.
"Mete muita impressão pensar que em Portugal, 50 anos após o 25 de abril, ainda há pessoas que estão atiradas para caves e que têm apenas um colchão para dormir."
Isabel Jonet diz que as campanhas do BACF também servem para "despertar consciências" para este tipo de situações.
“Preocupa-me saber que há muitas famílias com contratos regulares, e que têm habitações que pesam muito no seu agregado familiar e que têm crianças e que também precisam de ajuda para comer”, assinala.
“Há ainda, infelizmente, um grande conjunto de pessoas que merece a nossa atenção por causa da crise na habitação e estas campanhas do Banco Alimentar são precisamente também para despertar estas consciências”, acrescenta
Nesta entrevista à Renascença, a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares coloca-se ao dispor do novo Governo para ajudar na procura da melhor estratégia de combate à pobreza.
“Temos uma elevada taxa de pobreza em Portugal e queremos que esta transmissão intergeracional de pobreza que se verifica possa ser quebrada. Há aqui um conjunto de medidas que podem ser tomadas e nós estamos disponíveis para ser parte da solução”, assegura.
Os 21 bancos alimentares têm parcerias com 2300 instituições de solidariedade e entregam alimentos a mais de 340 mil pessoas. De acordo com Isabel Jonet, estes números "mantêm-se constantes ao longo dos anos” e provam “a grande importância desta grande cadeia de solidariedade que constitui uma rede social real e que é potenciada com os alimentos que as pessoas agora vão doar nos supermercados”.
Banco Alimentar do Porto apoia 300 instituições
No Porto, o BACF está a apoiar 300 instituições, chegando a mais de 58 mil pessoas. A presidente da organização no Porto, Bárbara Barros, “neste momento, ainda vai sendo possível dar um apoio pontual a algumas instituições em lista de espera”.
A dirigente revela que há cerca de duas dezenas de instituições em lista de espera, mas sublinha que este número “é sempre muito dinâmico”.
"Na área social, temos conseguido fomentado a esperança, com as instituições preocupadas e prontas sempre a ajudar quando veem que há uma mais necessitada e mostram-se prontas a apoiar, doando a sua vaga para uma instituição que neste momento mais necessita”, argumenta.
“Portanto, há aqui uma capacidade de movimentação em conjunto que para nós tem sido maravilhoso. O culminar desta festa da partilha, da recolha dos bancos alimentares, é uma representatividade também de que a sociedade, apesar de estar a passar por tempos bastante difíceis, tem uma visão de esperança."
"Há aqui uma visão muito bonita e solidária”, sublinha.
“Os portugueses são um dos povos mais solidários que nós conhecemos, e por isso acreditamos, que isto a ajuda de todos durante a campanha vai também ser um sinal de esperança, na vida de cada uma das pessoas que neste momento precisa”, remata Bárbara Barros.
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