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Justiça

Ataque a centro Ismaili. Advogado de família de vítima teme nulidade da condenação

02 jun, 2025 - 16:55 • Liliana Monteiro , João Malheiro

Advogada do arguido garante que vai recorrer da decisão.

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O advogado da defesa da família de uma das vítimas teme a nulidade da condenação de Abdul Bashir a 25 anos de prisão pelo homicídio de duas jovens no Centro Ismaili, em Lisboa.

O arguido foi condenado por crimes de homicídio, posse de arma proibida e resistência e coação pelo ataque ao Centro Ismaili, em março de 2023. O arguido foi, ainda, condenado aos pagamento de indemnizações cíveis que eram reclamadas no processo.

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No entanto, à saída, Miguel Matias avizinha uma possível nulidade da decisão, isto porque o Ministério Público não deixou em aberto a hipótese do arguido ser imputável, e o tribunal "passou por cima desse segmento acusação".

"Isto significa uma alteração substancial que o tribunal devia ter comunicado previamente e, aí sim, validar a imputabilidade", explica.

Defesa vai avançar com recurso

Já Fátima Pires, advogada de defesa de Abdul Bashir, garante que o recurso à decisão é certo, até porque "houve uma alteração substancial dos factos e a juíza nem deu prazo de defesa ao arguido, portanto o acórdão é nulo", considera.

"Fiquei surpreendida. O tribunal está a dar uma grande importância a um psicólogo e não a um psiquiatra. Um psicólogo não tem capacidade para diagnosticar uma esquizofrenia e dar medicação, por exemplo", aponta.

Não obstante, o advogado de defesa da família das vítimas refere que a pena máxima para Abdul Bashir "é pouco para este tipo de circunstâncias", pedindo que seja repensado o código penal para este tipo de casos, que descreve como sendo "monstruoso".

Já a a mãe de uma das vítimas, que dentro da sala não conteve a emoção do momento, fez uma declaração aos jornalistas em que afirma que "vai com o coração mais leve".

"Nada traz a minha filha de volta, mas pelo menos foi feita alguma justiça. Ainda bem que temos mulheres juízas, que também devem ser mães e, se calhar, hoje puseram-se no meu lugar", afirmou.

Na primeira sessão do julgamento, em 05 de dezembro de 2024, Abdul Bashir alegou que agiu em legítima defesa e que existia uma conspiração para o matar, o que não é sustentado por qualquer indício no processo.

As vítimas mortais no ataque de 28 de março de 2023 foram duas mulheres portuguesas, de 24 e 49 anos, que trabalhavam no serviço de apoio aos refugiados do Centro Ismaili.

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