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​Violência doméstica

Ministra admite valorizar primeiro testemunho, mesmo que vítima se remeta ao silêncio

04 jun, 2025 - 12:14 • Liliana Monteiro , Cristina Nascimento

Rita Júdice passou pela emissão especial da Renascença dedicada ao combate à violência doméstica. O "Três por Todos" é uma iniciativa que decorre de quarta a sexta-feira entre as 7h00 e as 20h00, conduzida pela Ana Galvão, Inês Lopes Gonçalves e Joana Marques.

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"O sistema tem de estar muito desperto" Rita Júdice - Três por Todos
"O sistema tem de estar muito desperto" Rita Júdice - Três por Todos

A ministra da Justiça Rita Júdice admite que o primeiro testemunho de uma vítima de violência doméstica deve ser mais utilizado em tribunal.

Na emissão especial da Renascença dedicada ao combate à violência doméstica, Rita Júdice reconheceu que há “várias medidas que podem ser melhoradas vão contribuir para uma melhor eficácia do processo de violência doméstica”.

“A declaração para memória futura é um instrumento que existe e pode ser mais utilizado no processo e isso está também a ser estudado”, reconhece.

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Nesta intervenção na Renascença, Rita Alarcão Júdice explica que há situações em que as vítimas vão “ao hospital, foi identificado e falou, percebeu-se que foi vítima de uma agressão do marido, do cônjuge, de algum familiar”, mas “depois mais tarde não têm coragem de falar” e que esse “testemunho inicial não é valorizado porque juridicamente não é possível, mas admitiu que "se calhar é um caminho que pode ser feito".

Rita Alarcão Jíudice sublimnhou que "o sistema judicial tem que ser mais rápido e eficaz e para isso precisamos de melhor investigação, quebrar a ideia que só o testemunho da vítima deve valer e desconstruir a ideia que o que disse no início da queixa não pode ser valorado em tribunal.

"É uma situação que temos de repensar", sustentou.

Rita Alarcão Júdice diz que esse foi um dos pontos revistos na ficha das 72 horas, um documento de atuação que cruza várias entidades.

"O Ministério da Justiça com o Ministério da Administração Interna e da Segurança Social fizemos a revisão da ficha das 72 horas que permite identificar as situações de risco, ajudar os órgãos de polícia criminal quando estão com as vítimas a poder identificar um nível de risco e até recomendar em determinadas situações, a tomada de declarações para memória futura. Isso é muito útil porque pode-se ajudar a fazer prova no futuro e esse ponto que pode ser melhorado", reforça.

No plano do governo, disse, está o reforço do numero de oficiais de justiça, mais formação para juízes sobre a temática, reforço do valor do apoio judiciário, em 2024 triplicou-se o apoio judiciári, foram pagos cerca de um milhão e seiscentos mil euros às vitimas.

A ministra mostra-se preocupada com as baixas indemnizações pagas às vítimas.

"Uma das áreas que o ministério da justiça tutela é a comissão de proteção de vítimas de crimes, tem como função atribuir indeminizações quando o agressor não consegue fazê-lo, para que a vítima não fique privada da indemnização determinada em tribunal. Mas também tem a possibilidade de antecipar essa indemnização, pois isso pode ser determinante para uma mulher para ser mais autónoma. É algo que eu gostaria de melhorar. É um ponto muuto importante".

A governante refere ainda que “há uma estrutura, uma rede, que deve ser criada de apoio para que as vítimas possam sair deste ciclo de violência e possam testemunhar e possam ser verdadeiramente livres no momento em que estão num tribunal prestar declarações a um juiz”.

Terminou com a promessa de melhorar a carreira de técnicos de reinserção social. "Falta rever e melhorar esta carreira e é um compromisso que será honrado", garantiu.

10% da população prisional é composta nesta altura por agressores de violência doméstica, muitos outros cumprem pena em liberdade com vigilância electrónica, outros por suspensão provisória do processo porque fizeram acordo com a vítima.

Rita Júdice passou pela emissão especial da Renascença dedicada ao combate à violência doméstica. O "Três por Todos" é uma iniciativa que decorre de quarta a sexta-feira entre as 7h00 e as 20h00, conduzida pela Ana Galvão, Inês Lopes Gonçalves e Joana Marques. Durante a emissão são esperados 300 convidados e as "Três da Manhã" terão de fazer 30 desafios.

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  • Margarida Campos
    05 jun, 2025 Faro 00:21
    Eu sou testemunha de um caso de violência doméstica e também sofro violência pela coragem de expor esta situação e pedir ajuda para esta vítima. Já contactei,sem número de canais e ninguém me ouve. Podem ajudar me a expor esta situação, e quem sabe conseguir finalmente justiça para esta mulher? No meu andar, vivo eu , sozinha, mais duas vizinhas, também vivem sozinhas e a vitima e todas sofremos com a violência a que assistimos todos os dias. Por favor, Margarida 913111148

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